
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (2), na Embaixada em Brasília, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, subiu o tom contra a postura de Washington e Tel Aviv. O diplomata afirmou que os Estados Unidos e Israel nunca buscaram um consenso real sobre o programa nuclear iraniano, utilizando as negociações como uma “cortina de fumaça” para esconder o verdadeiro objetivo: a derrubada do regime em Teerã.
A Crise do Acordo Nuclear
Segundo Nekounam, uma reunião técnica prevista para ocorrer em Viena, sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi sabotada por pressões externas.
- A acusação: O embaixador classifica as negociações como uma “farsa”.
- A motivação: Para o Irã, os EUA agem sob uma visão distorcida de hegemonia global. “O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo”, disparou o diplomata, reiterando que o Irã mantém sua busca por independência há 47 anos.
Estabilidade após a morte de Ali Khamenei
Um dos pontos centrais da fala de Nekounam foi a resiliência do Estado iraniano após o assassinato do Líder Supremo, Ali Khamenei, ocorrido no último sábado (28).
“A estrutura de poder não sofreu descontinuidades. O Conselho interino assumiu o comando de forma firme e poderosa”, garantiu o embaixador, tentando afastar rumores de instabilidade interna ou vácuo de poder no país persa.
O Xadrez Geopolítico: Por que o Irã?
Analistas apontam que o conflito vai além da questão religiosa ou regional. O embate atual reflete uma disputa por hegemonia global:
| Ator | Objetivo Estratégico |
| EUA / Israel | Alegam “ataque preventivo” para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. |
| Geopolítica | Analistas sugerem que o foco é frear a expansão econômica da China e consolidar o poder militar de Israel na região. |
| Irã | Sustenta que seu programa nuclear é estritamente para fins pacíficos e acusa o Ocidente de expansionismo. |
O Cenário Atual
Enquanto Washington e Tel Aviv justificam suas ações como medidas de segurança contra uma ameaça nuclear iminente, Teerã se posiciona como uma nação sob ataque que não abrirá mão de sua soberania. A retórica de “mudança de regime” agora paira sobre o Golfo Pérsico, elevando o risco de uma escalada sem precedentes no Oriente Médio.