
Foto: Agência Brasil EBC
O recente agravamento do conflito no Oriente Médio — marcado por ataques cruzados envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã — acendeu o sinal de alerta no mercado global de energia. O barril de petróleo registrou fortes altas nos últimos dias, mas, para o motorista brasileiro, a pressão nas bombas não deve ser sentida de imediato.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, existe um “colchão de segurança” que impede o repasse automático da volatilidade internacional para o mercado doméstico.
Os 3 Pilares que Retardam o Aumento
A dinâmica de preços no Brasil não segue o ritmo frenético das bolsas de valores. Três fatores principais explicam por que o impacto pode levar de 60 a 180 dias para chegar ao consumidor:
- Estoques das Refinarias: As refinarias operam com reservas compradas a preços antigos. Enquanto esses estoques durarem, o custo de produção permanece estável.
- Contratos Pré-firmados: Grande parte do petróleo é negociada através de contratos de longo prazo. As refinarias honram os valores acordados anteriormente, e o preço novo só incide sobre as remessas futuras.
- Reservas Estratégicas: Países ao redor do globo possuem estoques de segurança para momentos de crise, o que ajuda a equilibrar a oferta mundial e evitar picos de pânico.
O Fator Estreito de Ormuz: Bloqueio Total ou Parcial?
Um dos maiores medos do mercado é o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e principal artéria para o escoamento do petróleo global. Entretanto, Ardenghy pondera que o sistema logístico atual é mais resiliente do que no passado.
Embora o bloqueio seja crítico, rotas alternativas já estão preparadas:
- Iraque: Possibilidade de escoamento via Turquia.
- Arábia Saudita: Oleodutos que conectam a produção diretamente ao Mar Vermelho.
- Emirados Árabes e Irã: Alternativas logísticas para mitigar a dependência do canal.
“Não haverá mudança de patamar de preço de modo estável pelos próximos 60 a 90 dias”, projeta o presidente do IBP.
O que esperar para o futuro?
A estabilidade a longo prazo dependerá da duração do conflito e da capacidade dessas rotas alternativas em suprir a demanda. Se o barril permanecer em patamares elevados por muitos meses, as refinarias começarão a renovar seus contratos com custos maiores, o que eventualmente chegará aos postos de forma gradual.