
Foto: Orlando Kissner/Alep
Audiência pública na Assembleia Legislativa revela que o diagnóstico precoce pode economizar bilhões ao erário e evitar que milhares de paranaenses dependam de diálise.
O Paraná acendeu o sinal de alerta para uma “epidemia silenciosa”. Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (9) na Assembleia Legislativa (ALEP), especialistas e parlamentares revelaram números alarmantes: cerca de 1,2 milhão de paranaenses já apresentam sinais de alteração na função renal. O debate, proposto pela deputada Cristina Silvestri (PP) em alusão ao Dia Mundial do Rim, focou na urgência de transformar o modelo de atendimento de reativo para preventivo.
O Custo do Atraso: Saúde e Economia em Risco
Um dos pontos mais impactantes do debate foi apresentado pelo médico Paulo Fraxino, da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Segundo dados técnicos, o custo de manter um paciente em diálise é de 50 a 70 vezes maior do que o investimento em prevenção.
O impacto não é apenas humano, mas severamente econômico. Projeções indicam que, entre 2024 e 2034, as doenças renais podem causar um prejuízo de R$ 1,3 trilhão ao PIB brasileiro, retirando 4,6 milhões de trabalhadores do mercado devido a aposentadorias precoces e absenteísmo.
“Se o diagnóstico for feito até o estágio 3, conseguimos retardar a necessidade de diálise em até 15 anos com medicamentos gratuitos do SUS”, afirmou Fraxino.
Diagnóstico Simples, Vida Longa
A grande barreira enfrentada pela saúde pública é a natureza assintomática da doença. A nefrologista Maria Laura Neme destacou que menos de 10% das pessoas descobrem o problema a tempo. A solução, segundo os especialistas, é simples e barata:
- Exame de Creatinina: Um teste de sangue acessível que mede a função dos rins.
- Exame de Urina: Identifica perdas de proteína e outras alterações precoces.
Estes exames devem ser prioridade para os grupos de risco: diabéticos, hipertensos e obesos.
Conquistas e Desafios Políticos
A deputada Cristina Silvestri celebrou avanços obtidos nos últimos três anos de interlocução direta com o setor, como a redução de 50% na tarifa de água para clínicas de diálise e a criação de uma Frente Parlamentar dedicada ao tema.
Por outro lado, a deputada Marcia Huçulak (PSD) pontuou que o sistema ainda sofre com o subfinanciamento histórico e o envelhecimento da população. Atualmente, o Paraná possui 8.700 pacientes em diálise (82% via SUS) e uma fila de 5.500 pessoas à espera de um transplante.
Como se prevenir?
Para evitar que a doença chegue ao estágio 5 (falência renal), os médicos recomendam:
- Controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia.
- Redução do consumo de sal e ultraprocessados.
- Hidratação adequada e prática de exercícios.
- Realização anual do exame de creatinina para grupos de risco.