
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Em entrevista exclusiva, vice-presidente reforça independência da PF no caso Master, comenta os impactos da guerra no Irã e detalha planos para a desincompatibilização em abril.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, subiu o tom contra as fraudes financeiras e os esquemas de corrupção que envolvem o sistema bancário nacional. Em entrevista ao programa Na Mesa com Datena, na TV Brasil, Alckmin defendeu uma punição exemplar para todos os envolvidos no escândalo do Banco Master, cujos prejuízos aos cofres públicos e investidores são estimados em R$ 47 bilhões.
Fio da meada: Corrupção interna no Banco Central
Para Alckmin, a gravidade do caso reside na suspeita de conivência dentro do órgão regulador. O vice-presidente destacou que as investigações da Operação Compliance Zero apontam para a participação de servidores do próprio Banco Central (BC).
“Já ficou claríssimo que tinham pessoas dentro do Banco Central que tinham envolvimentos. Tem que ser feita apuração rigorosa e punição rigorosa”, afirmou.
Ele reforçou que a Polícia Federal tem “total liberdade” sob a gestão Lula para investigar qualquer esfera, incluindo o aprimoramento dos instrumentos de controle que falharam ao não detectar o rombo bilionário anteriormente. O caso ganhou novos contornos com a recente prisão do financista Daniel Vorcaro, após a descoberta de mensagens com ameaças a jornalistas e críticos.
Calendário Eleitoral: A saída do MDIC
Um dos momentos mais aguardados da entrevista foi a confirmação do cronograma político do vice-presidente. Alckmin anunciou que deixará o comando do MDIC no dia 2 de abril.
A decisão atende à Lei de Incompatibilidade Eleitoral, que exige que ministros de Estado deixem seus cargos seis meses antes do pleito (até 4 de abril).
- O que muda: Alckmin deixa de ser ministro.
- O que permanece: Ele continua exercendo o cargo de Vice-Presidente da República, que não exige renúncia para disputa eleitoral.
Embora não tenha confirmado qual cargo pretende disputar em outubro, o movimento sinaliza sua participação ativa no tabuleiro político de 2026.
Economia e Geopolítica: O fator Irã
Questionado sobre o impacto do conflito entre Estados Unidos/Israel e o Irã, Alckmin adotou um tom de cautela otimista. Segundo ele, embora o preço dos combustíveis (gasolina e diesel) sofra pressão direta pelo encarecimento do petróleo, o Brasil possui uma blindagem comercial relativa.
“Nossos grandes parceiros comerciais são China, União Europeia, Argentina e EUA. Por estarem distantes da zona de conflito direta, o fluxo de exportações e importações brasileiro tende a ser menos prejudicado que o de outros países”, explicou o ministro.
Segurança Pública e a “PEC da Integração”
Alckmin também defendeu a recém-aprovada PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados. Ele destacou dois pilares fundamentais da proposta:
- Fortalecimento das Guardas Municipais: Maior poder de atuação local por estarem próximas à população.
- Novas atribuições da PF e PRF: A Polícia Federal assume o combate direto a milícias e facções interestaduais, enquanto a Polícia Rodoviária Federal expande sua atuação para ferrovias e hidrovias.
Indicadores em alta
Ao finalizar, o vice-presidente celebrou o atual momento econômico, citando a inflação em 4,2% e os menores índices históricos de desemprego como trunfos para enfrentar a polarização política. “O ganho real do salário mínimo é o que garante dignidade, especialmente para os 60% dos aposentados que dependem do piso nacional”, concluiu.