
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou, nesta sexta-feira (13), uma maioria de votos favorável à manutenção da prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro. O empresário, proprietário do Banco Master — instituição recentemente liquidada pelo Banco Central por insolvência —, é o foco central da terceira fase da Operação Compliance Zero.
Até o momento, os ministros André Mendonça (relator), Luiz Fux e Nunes Marques votaram pelo indeferimento do pedido de liberdade da defesa. O julgamento ocorre em ambiente virtual e aguarda apenas o posicionamento do ministro Gilmar Mendes, que tem até o dia 20 de março para registrar seu voto.
“Milícia Privada” e Monitoramento de Inimigos
O ponto mais sensível do voto do relator André Mendonça reside na descrição das atividades de Vorcaro fora do mundo financeiro. Com base em relatórios da Polícia Federal, o ministro afirmou que o banqueiro comandava uma estrutura de monitoramento e intimidação contra indivíduos considerados “inimigos de seus interesses”.
Mendonça rebateu a tese da defesa de que o grupo de WhatsApp intitulado “A Turma” seria um círculo social casual. Segundo o ministro:
- Comando Direto: Vorcaro exercia liderança inequívoca sobre o grupo.
- Perfil Violento: Os integrantes foram classificados como “milicianos”.
- Ameaças de Morte: Há indícios de ameaças concretas, inclusive contra ex-funcionários do banqueiro.
A operação também visou os coordenadores dessa estrutura, Marilson Roseno e Phillipe Mourão (conhecido como “Sicário”). Mourão faleceu após um atentado contra a própria vida logo após ser detido.
O Recuo de Toffoli e o Fator Banco Master
O caso é marcado por uma reviravolta na relatoria. Originalmente, os processos estavam sob o cuidado do ministro Dias Toffoli, que se declarou suspeito por “foro íntimo”.
O afastamento de Toffoli ocorreu em meio a desgastes provocados por decisões controversas e pela revelação de conexões entre negócios de sua família e fundos ligados ao Banco Master. Embora a PF tenha elaborado um relatório sobre esses contatos, o STF descartou o documento, alegando que a investigação sobre um ministro sem autorização prévia da própria Corte foi ilegal.
Situação Atual
Daniel Vorcaro segue detido na Penitenciária Federal de Brasília. Além das acusações de coação e organização de milícia, ele enfrenta o colapso de seu império financeiro, após o Banco Central constatar que o Master não possuía caixa suficiente para honrar compromissos com correntistas e credores.