
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reúne na noite desta terça-feira (9), às 19h, para decidir se mantém ou revoga a decisão liminar do ministro Nunes Marques que barrou a divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel. O levantamento em questão apontava uma queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
A suspensão provisória exige que o instituto retire os dados de circulação e interrompa qualquer divulgação. Por se tratar de uma liminar, a medida precisa do referendo dos demais integrantes da Corte. O colegiado é composto por sete magistrados: além do presidente Nunes Marques, votam os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Azevedo Marques Neto e Estela Aranha.
O Impacto dos Áudios Vazados e os Questionamentos do PL
A pesquisa foi realizada em maio, logo após a repercussão do vazamento de áudios envolvendo o parlamentar. Nas gravações, Flávio Bolsonaro supostamente solicita recursos financeiros para a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro — antigo proprietário do extinto Banco Master e alvo de investigações por fraudes financeiras bilionárias.
A contestação judicial partiu do Partido Liberal (PL), que acusou o instituto de direcionar negativamente as respostas dos entrevistados. Entre os argumentos aceitos preliminarmente por Nunes Marques, destacam-se:
- Concentração temática: Das 49 perguntas do questionário, 8 abordavam diretamente o caso do Banco Master, vinculando o pré-candidato ao escândalo financeiro.
- Efeito indutor: O partido alegou que as perguntas foram dispostas de forma sequencial e tendenciosa, moldando a percepção do eleitor ao longo da entrevista.
- Falta de perícia: A legenda sustentou que os áudios utilizados como base para as perguntas ainda não tiveram a autenticidade validada pela Justiça.
Ao conceder a liminar, o ministro Nunes Marques ressaltou que os apontamentos da sigla demonstram indícios de que o questionário pode ter funcionado como um “mecanismo de indução do entrevistado”, extrapolando a mera divergência de metodologia científica.
Posicionamento do Instituto
Em nota oficial, a AtlasIntel defendeu a integridade do levantamento e manifestou confiança na reversão do cenário junto ao plenário do tribunal.
“A situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, declarou a empresa.