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VAR no Brasil: Estudo da USP revela mais tempo de acréscimo e queda nos impedimentos

Foto: Wikimedia Commons

Uma análise abrangente conduzida por pesquisadores da USP, em colaboração com instituições internacionais, colocou o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) sob o microscópio estatístico. O veredito? A tecnologia não mudou a “alma” do futebol brasileiro, mas alterou significativamente o cronômetro e a precisão das linhas de impedimento.

Liderado pelo professor Bruno Bedo (EEFE-USP), o estudo analisou um banco de dados robusto: 3.420 partidas da Série A do Brasileirão, cobrindo o hiato entre 2015 e 2023. O objetivo era claro: entender o que mudou no campo antes (2015-2018) e depois (2019-2023) da implementação oficial da tecnologia.

Os Números do Apito Tecnológico

Os resultados, publicados no International Journal of Sports Science & Coaching, desmistificam alguns medos de que o VAR alteraria drasticamente a agressividade ou o placar dos jogos.

O que mudou de fato:

  • Mais tempo de jogo: O impacto mais visível foi no relógio. A duração total das partidas aumentou, em média, mais de dois minutos por jogo devido às revisões. Estatisticamente, esse efeito foi classificado como “muito grande”.
  • Menos impedimentos: A média de flagrantes de impedimento caiu de 3,2 para 2,8 por partida. Isso sugere que a precisão da linha virtual e a nova orientação de “esperar a jogada terminar” podem estar refinando a marcação dessa infração.

O que permaneceu estável:

Apesar da presença das câmeras, o comportamento disciplinar e a eficácia ofensiva não sofreram alterações significativas. As médias de:

  • Gols
  • Pênaltis
  • Faltas
  • Cartões (Amarelos e Vermelhos)

…permaneceram praticamente as mesmas. Isso indica que o VAR atua como um corretivo cirúrgico para erros claros, mas não intimida os jogadores a ponto de mudar o estilo de jogo ou a intensidade das faltas.


O Futebol Brasileiro sob Perspectiva Global

O estudo reforça que o Brasil está alinhado com o que acontece na Premier League ou na La Liga. No entanto, os pesquisadores ressaltam que as “peculiaridades culturais” do nosso futebol — como o estilo de arbitragem e a conduta dos atletas — foram preservadas.

“A tecnologia cumpre seu papel de dar mais precisão às decisões sem transformar radicalmente a dinâmica do esporte”, aponta o relatório.

Limitações e o Futuro da Pesquisa

Embora os dados sejam sólidos, os pesquisadores fazem duas ressalvas importantes:

  1. Tempo Efetivo: O estudo mediu a duração total da partida, mas ainda resta entender se a “bola rolando” diminuiu devido às interrupções.
  2. Efeito Pandemia: O período inicial do VAR coincidiu com estádios vazios devido à COVID-19, o que pode ter influenciado o comportamento emocional e a pressão sobre os árbitros.

O levantamento é um dos mais detalhados já feitos sobre o futebol nacional e serve como base para que federações e clubes entendam que, embora o VAR traga mais justiça, o preço a pagar é um jogo mais longo e, por vezes, mais fragmentado.

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