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Ciência do Pênalti: Estudo da USP revela como Gênero e Experiência definem o sucesso na marca da cal

Foto: Unique Photo/Wikimedia Commons

Uma pesquisa inovadora conduzida pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP desvendou o que separa um gol de placa de uma defesa fácil. Utilizando tecnologia de rastreamento ocular (eye-tracking), os pesquisadores identificaram que o gênero e o nível de experiência dos atletas moldam drasticamente a estratégia visual e a potência do chute no momento de maior pressão do futebol.

O estudo, publicado na revista Experimental Brain Research, monitorou jogadores de diversas regiões de São Paulo para entender como o cérebro e os olhos trabalham sob o estresse da cobrança de pênalti.

O Olhar do Profissional vs. O Amador

A principal diferença entre os craques e os amadores não está apenas nos pés, mas nos olhos. Segundo o professor Cássio Meira Junior, coordenador do estudo, a experiência permite que o atleta “filtre” o ambiente.

  • Veteranos: Fixam o olhar na bola ou no alvo de forma estável, ignorando provocações de goleiros ou o ruído da torcida. Eles usam a visão periférica para monitorar o goleiro sem perder o foco na execução do chute.
  • Amadores: Tendem a mirar no centro do gol (o que facilita a defesa) e se distraem facilmente com os movimentos do adversário. Quando focam demais na bola, perdem a noção espacial do gol.

Diferenças de Gênero na Prática

A pesquisa trouxe dados curiosos sobre como homens e mulheres abordam a marca penal:

AtletaEstilo de JogoEstratégia Visual
Mulheres ProfissionaisEspecialistas em chutes colocados (precisão).Foco mais fechado e fixações curtas na bola e em zonas-alvo.
Homens ProfissionaisEficientes tanto em potência quanto em colocação.Olhar mais amplo, distribuído entre a bola, o goleiro e o gol.

Para o professor Meira Junior, essas variações podem ter origens socioculturais, como diferenças na base do treinamento e nas expectativas depositadas em cada categoria ao longo da carreira.

O Caminho para o Pênalti Perfeito

Independentemente do nível ou do gênero, a ciência aponta um “manual” para aumentar as chances de balançar as redes. Confira as recomendações do grupo de pesquisa da EACH-USP:

  1. Domine a Visão Periférica: Fixe o olhar de forma rápida e precisa na bola para calibrar o contato do pé, mas use a “beira dos olhos” para identificar os espaços vazios e o movimento do goleiro.
  2. Ignore o Goleiro: O batedor deve ser o protagonista. Evitar o contato visual prolongado com o defensor ajuda a manter a concentração.
  3. Mire nas Extremidades: O estudo recomenda focar nas bordas inferiores do gol, as zonas de maior dificuldade para os goleiros.
  4. Treino de Variabilidade: Para as mulheres, o foco deve ser o ganho de potência e variação de alvos; para os homens amadores, o desafio é reduzir a previsibilidade e não mirar apenas no centro.

“O olhar não é apenas um detalhe técnico, mas um recurso estratégico que envolve leitura do adversário e resistência à pressão”, conclui Meira Junior.


Ficha Técnica do Estudo:

A pesquisa foi realizada pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Capacidades e Habilidades Motoras (Gepcham) da USP, envolvendo mestrandos, pós-doutores e professores do programa de Ciências da Atividade Física.

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