
Com novos critérios de diagnóstico estabelecidos no final de 2025, o que antes era considerado “pressão normal” agora acende o sinal amarelo. No Paraná, atendimentos crescem enquanto especialistas reforçam o papel vital da alimentação.
A hipertensão arterial, silenciosa e muitas vezes negligenciada, consolidou-se como um dos maiores desafios de saúde pública em 2026. Segundo dados recentes da Secretaria estadual da Saúde (Sesa), mais de 2,1 milhões de pessoas convivem com a doença no Estado. O aumento no volume de atendimentos na Atenção Primária — que ultrapassou os 820 mil apenas no primeiro bimestre deste ano — reflete uma busca maior por cuidado, mas também um sinal de alerta sobre o estilo de vida da população.
O Novo “Normal”: 12 por 8 agora é Pré-Hipertensão
Uma das atualizações mais impactantes para o público geral é a mudança no parâmetro de medição. Desde o final de 2025, a famosa pressão 120/80 mmHg (12 por 8) deixou de ser o padrão de saúde ideal.
- Abaixo de 12 por 8: Considerada Pressão Normal.
- 12 por 8: Classificada agora como Pré-Hipertensão.
Essa mudança visa identificar precocemente indivíduos em risco, permitindo intervenções antes que a doença se cronifique e cause danos irreversíveis, como infartos, AVCs e doenças renais.
O Vilão no Prato: O Perigo dos Ultraprocessados
O secretário da Saúde, César Neves, e especialistas da Sesa apontam o alimento como o pilar central da prevenção. O foco atual recai sobre os alimentos ultraprocessados — produtos que, embora práticos, são nutricionalmente desbalanceados.
“O alimento é o pilar da nossa estrutura. Tudo o que consumimos se transforma em energia para o corpo e para a mente”, destaca Neves.
A nutricionista Viviane Bogasz de Melo alerta que esses produtos escondem quantidades perigosas de sódio e aditivos químicos que inflamam o organismo e prejudicam a microbiota intestinal. A recomendação é clara:
- Limite de Sódio: Máximo de 2g por dia (cerca de 5g de sal de cozinha, ou uma colher de chá rasa).
- Prioridade: Alimentos frescos e minimamente processados.
Prevenção e Diagnóstico: O que você precisa fazer?
Embora a genética tenha seu papel, a hipertensão é movida principalmente por comportamentos de risco: sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e obesidade. Por não apresentar sintomas claros em estágios iniciais, o diagnóstico depende da aferição regular.
| Perfil | Frequência de Aferição |
| Pessoas acima de 20 anos | Pelo menos uma vez ao ano |
| Histórico familiar de hipertensão | Pelo menos duas vezes ao ano |
Ação em Rede no Paraná
Para enfrentar esses números, o Estado tem fortalecido a Estratégia do Risco Cardiovascular nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O programa foca especialmente na população entre 40 e 74 anos, buscando rastrear precocemente alterações e evitar mortes prematuras.
Neste 26 de abril, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, o lembrete é vital: a pressão alta não tem cura, mas o controle está, literalmente, em nossas mãos — e em nossas escolhas à mesa. Pequenas mudanças hoje, como reduzir o sal e caminhar regularmente, são os melhores investimentos para uma longevidade com qualidade.