
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
PARANAGUÁ – O Porto de Paranaguá reafirmou sua posição estratégica para o agronegócio nacional ao concentrar, sozinho, 70% de todas as exportações brasileiras de óleo de soja no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados oficiais do sistema Comex Stat, o terminal paranaense embarcou 386,3 mil toneladas do subproduto entre janeiro e março, registrando um salto expressivo de 38% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi ainda mais robusto no mês de março, quando a participação de Paranaguá nas vendas externas do óleo atingiu a marca de 75,3%. O principal destino dessa produção são os mercados em expansão na Ásia e na África.
Destaques da Movimentação de Granéis
A eficiência operacional do porto também se refletiu em outros produtos da cadeia da soja:
- Soja em Grão: Foi a commodity com maior crescimento em volume absoluto. Com 4,6 milhões de toneladas exportadas no trimestre (alta de 12%), Paranaguá responde por uma a cada cinco toneladas de soja que o Brasil envia ao exterior.
- Farelo de Soja: O terminal garantiu a segunda posição nacional, movimentando 1,3 milhão de toneladas. Somente em março, o volume de farelo (700 mil toneladas) representou mais de 30% do total exportado pelo país, tendo a Europa e a Ásia como focos principais.
“Nosso controle de qualidade e a dinâmica operacional garantem o reconhecimento internacional e a busca constante do mercado pelos portos paranaenses”, destaca Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná.
Cenário Global e Desafios Logísticos
Apesar do sucesso no complexo soja, o balanço geral do trimestre apresentou uma leve retração de 3,9% na movimentação total (16,7 milhões de toneladas) em relação a 2025. Esse recuo é explicado por fatores macroeconômicos e tensões geopolíticas:
- Açúcar e Milho: A queda nos preços internacionais do açúcar e o redirecionamento do milho para a produção interna de etanol (devido à valorização de combustíveis alternativos frente às tensões entre EUA e Irã) frearam os embarques dessas cargas.
- Fertilizantes: O Paraná, principal porta de entrada de insumos agrícolas no país, viu as importações caírem de 2,7 milhões para 2,2 milhões de toneladas, reflexo direto da instabilidade no mercado global.
- Importações em Alta: Em contrapartida, houve um crescimento explosivo na importação de malte (227%) e de derivados de petróleo (9%), sinalizando mudanças no perfil de consumo e processamento industrial da região.
A capacidade de adaptação do Porto de Paranaguá frente às oscilações internacionais mantém o terminal como o principal elo logístico para os exportadores brasileiros, especialmente no setor de óleos vegetais.