
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O Brasil consolidou uma vitória significativa na agenda climática em 2025. De acordo com o novo balanço da organização World Resources Institute (WRI), divulgado nesta quarta-feira (29), o país registrou uma queda de 42% na perda de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas em comparação ao ano anterior. Ao todo, foram 1,6 milhão de hectares perdidos — um número que, embora ainda expressivo, sinaliza uma mudança drástica de trajetória sob uma nova política de preservação.
O fim de uma era de derrubadas?
O destaque do relatório recai sobre as perdas não relacionadas a incêndios (como desmatamento por corte raso e mineração). Neste quesito, a redução foi de 41%, atingindo o patamar mais baixo registrado em 25 anos. “O Brasil não apenas reduziu suas perdas, mas estabeleceu um novo recorde de preservação para este século”, afirmou Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch.
Os destaques regionais:
- Reduções drásticas: Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima (responsáveis por mais de 40% da queda).
- Ponto de atenção: O Maranhão foi o único estado que registrou aumento na perda de vegetação original.
Brasil como motor da melhora global
O impacto brasileiro foi tão profundo que alterou a estatística mundial: a perda global de florestas tropicais caiu 35% em 2025. Apesar disso, o país ainda detém o título de nação que mais perdeu área verde em extensão absoluta (37% do total global), seguido pela Bolívia e pela República Democrática do Congo.
Força-tarefa e novos mecanismos
Para Mirela Sandrini, diretora executiva da WRI Brasil, o sucesso é fruto de uma coalizão entre governo, setor privado e comunidades locais. Ela destaca que iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e a remuneração por serviços ambientais foram fundamentais para oferecer alternativas econômicas à exploração predatória.
O alerta: O fogo e a meta de 2030
Nem todos os dados são positivos. Enquanto o desmatamento por “correnteza” caiu, a perda por incêndios continua em níveis alarmantes, sendo a terceira maior desde 2001. Além disso, o WRI alerta que o mundo ainda está 70% acima do ritmo necessário para cumprir a promessa de zerar o desmatamento até 2030.
“Alcançar a meta não será fácil; as florestas estão mais vulneráveis às mudanças climáticas e a demanda global por alimentos e combustíveis continua a crescer”, concluiu Elizabeth Goldman.