
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Em um movimento estratégico para enfrentar a crescente frequência de eventos extremos, o Governo do Paraná anunciou um plano ambicioso de capitalização da Reserva de Enfrentamento de Desastres (RED). O objetivo é acumular até R$ 350 milhões até 2029, garantindo que o Estado tenha “dinheiro em caixa” para respostas imediatas, sem a dependência exclusiva de repasses emergenciais burocráticos.
A iniciativa faz parte do Fundo Estratégico do Paraná (FEPR) e conta com a consultoria técnica do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A meta é clara: evitar que tragédias como o tornado de Rio Bonito do Iguaçu, ocorrido em novembro de 2025, encontrem um Estado desassistido financeiramente.
O Plano de Capitalização
Atualmente, a RED é abastecida por 20% dos recursos livres do fundo soberano estadual. Se o clima der trégua e o fundo não precisar ser acionado, a projeção de crescimento é escalonada:
- 2026: R$ 148 milhões
- 2027: R$ 209 milhões
- 2028: R$ 273 milhões
- 2029: R$ 350 milhões (Teto previsto)
“Estamos saindo de uma lógica reativa para uma postura preventiva”, afirma Norberto Ortigara, secretário da Fazenda. “Com essa reserva, o Paraná passa a ter capacidade de agir no ‘minuto zero’, protegendo vidas e mitigando prejuízos econômicos antes que eles se multipliquem.”
Governança e Sustentabilidade Internacional
A estruturação do fundo não visa apenas o socorro financeiro, mas o alinhamento com padrões globais. Durante missões técnicas nesta semana, o BID validou modelos de governança que seguem as diretrizes do Acordo de Paris.
Isso significa que, uma vez atingido o teto de R$ 350 milhões, o excedente de recursos poderá ser redirecionado para projetos de logística, energia e agroindústria — desde que estes comprovem práticas de mitigação climática e sustentabilidade.
Agilidade no Front
Para a diretora do Tesouro Estadual, Carin Deda, o diferencial está na inteligência fiscal. O planejamento permite que o Paraná não precise sacrificar outras áreas do orçamento quando um desastre ocorre. É uma estrutura de resiliência que permite ao Estado reagir com a mesma velocidade com que as mudanças climáticas têm desafiado a infraestrutura urbana e rural.
Com essa reserva, o Paraná se consolida como um dos estados pioneiros no Brasil a tratar a adaptação climática não apenas como pauta ambiental, mas como um pilar de responsabilidade fiscal e segurança pública.