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Pedágio volta entre Marialva e Mandaguari após mais de 3 anos e meio e levanta debate sobre custos, empregos e acesso da população

Foto: Reprodução

A praça de pedágio entre Marialva e Mandaguari volta a operar a partir do dia 4 de maio de 2026, marcando o fim de um período de cerca de 3 anos e 5 meses sem cobrança nas rodovias do Paraná. Desde o encerramento dos contratos anteriores, em 28 de novembro de 2021, os motoristas trafegavam sem pagar a tarifa — realidade que agora muda com a implantação do modelo eletrônico conhecido como free flow.

Novo sistema elimina cabines e reduz empregos
Com a nova tecnologia, não haverá mais cancelas ou cobrança manual. O sistema identifica automaticamente os veículos por meio de pórticos instalados nas rodovias.

Essa modernização, no entanto, traz outro impacto: a redução na geração de empregos. Sem a necessidade de operadores nas cabines, o número de trabalhadores envolvidos diretamente na cobrança tende a ser menor, diferente do modelo antigo, que empregava dezenas de pessoas nas praças.

Motoristas voltam a pagar após anos sem pedágio
Durante o período sem cobrança, a população continuou pagando impostos obrigatórios como IPVA e licenciamento, o que agora gera questionamentos com a retomada da tarifa.

Muitos motoristas apontam que esses tributos já possuem, em sua destinação, ligação com a manutenção das vias e circulação de veículos. Por isso, volta à tona o debate sobre uma possível sobreposição de cobranças.

Questionamento jurídico segue sem resposta clara
Outro ponto levantado é o que consta nos próprios documentos dos veículos. No IPVA e no licenciamento, há previsão de arrecadação para fins ligados à estrutura viária.

Diante disso, permanece a dúvida:
por que o cidadão paga impostos e ainda precisa pagar pedágio para utilizar as rodovias?
Até o momento, não há um posicionamento jurídico consolidado que esclareça essa questão de forma definitiva, o que mantém o debate aberto.

E quem não tem acesso à internet?
O novo modelo também levanta uma preocupação importante: como ficam as pessoas que não têm acesso à internet ou têm dificuldade para utilizar meios digitais?

No sistema free flow, o pagamento pode exigir cadastro, consulta online ou uso de aplicativos e meios eletrônicos. Para parte da população — especialmente idosos ou pessoas com pouco acesso à tecnologia — isso pode se tornar um obstáculo.

A situação gera um novo questionamento:
como garantir o direito de ir e vir de forma igualitária, se o modelo depende de ferramentas digitais que nem todos dominam ou possuem acesso?

Impacto direto na rotina da região
Para moradores, trabalhadores e transportadores que utilizam diariamente o trecho entre Marialva e Mandaguari, a volta do pedágio representa um custo a mais no orçamento.

Mesmo com a promessa de mais agilidade no trânsito e investimentos nas rodovias, o novo modelo chega acompanhado de dúvidas sobre inclusão, emprego e justiça na cobrança.

A retomada do pedágio, portanto, não afeta apenas o bolso do motorista, mas também abre espaço para discussões mais amplas sobre acesso, tecnologia e direitos da população.

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