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Inteligência Artificial assume o microscópio: USP desenvolve tecnologia para identificar vespas “caçadoras de pragas”

Foto: Reprodução

Pesquisa na Escola de Engenharia de São Carlos utiliza Deep Learning para acelerar a catalogação de insetos que podem substituir agrotóxicos por controle biológico natural.

Na vanguarda da agricultura sustentável, a tecnologia brasileira acaba de ganhar um aliado de peso — e ele é digital. Uma pesquisa desenvolvida na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP utilizou visão computacional e inteligência artificial para automatizar a identificação de vespas parasitoides, insetos que possuem o “superpoder” de eliminar pragas agrícolas sem a necessidade de uma gota de veneno.

O “Google Lens” da Entomologia

O estudo, liderado pelo pesquisador João Manoel Herrera Pinheiro sob orientação do professor Marcelo Becker, foca na família Ichneumonidae. Este grupo de vespas é vasto, diverso e visualmente muito complexo. Para um ser humano, distinguir uma espécie de outra exige anos de estudo e horas de análise manual sob lentes.

Para a IA, no entanto, é uma questão de processamento de dados. Utilizando o banco de dados DAPWH, com mais de 3.500 imagens em altíssima resolução, o sistema aprendeu a reconhecer padrões sutis em:

  • Nervação das asas;
  • Formato da cabeça;
  • Estrutura do corpo.

O resultado? Uma classificação automática com alta precisão, poupando o tempo precioso de taxonomistas para tarefas menos mecânicas e mais analíticas.

Por que isso importa para a sua mesa?

O controle biológico é o uso de organismos vivos para combater pragas. As vespas parasitoides são especialistas nisso: elas depositam ovos em larvas que atacam plantações de café, cana-de-açúcar e mandioca. Ao se desenvolverem, as vespas eliminam a praga naturalmente.

“Ao invés de usar um defensor agrícola, a vespa utiliza as larvas para fechar seu ciclo reprodutivo. É um controle biológico natural”, explica João Pinheiro.

A urgência do Inventário da Biodiversidade

Apesar da importância vital, estima-se que 80% das espécies de insetos no mundo ainda não foram descritas. Com o declínio global da biodiversidade causado pela ação humana, a ciência corre contra o tempo.

A automação por IA não é apenas uma conveniência técnica, mas uma necessidade estratégica. O modelo desenvolvido na USP abre portas para que, no futuro, computadores identifiquem detalhes invisíveis ao olho humano, acessando faixas do espectro de luz e padrões morfológicos inéditos, consolidando uma “agricultura verde” e de alta tecnologia no Brasil.


Ficha Técnica da Pesquisa

  • Instituição: EESC-USP em parceria com UFSCar e INCT-Hympar.
  • Tecnologia: Deep Learning (Aprendizado Profundo).
  • Foco: Vespas parasitoides (Controle Biológico).
  • Apoio: Capes, Fapesp, CNPq e FAFQ.
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