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O Caminho do Diagnóstico: Como a Medicina Brasileira Padroniza a Identificação do Alzheimer

Foto: Pixabay

Com o envelhecimento da população, especialistas da Academia Brasileira de Neurologia atualizam diretrizes que equilibram tecnologia de ponta, biomarcadores e a realidade do acesso à saúde no Brasil.

O Brasil enfrenta um desafio crescente de saúde pública: quase 2 milhões de idosos vivem atualmente com a doença de Alzheimer, número que pode triplicar até 2050, segundo o Ministério da Saúde. Diante desse cenário, a precisão no diagnóstico tornou-se uma prioridade para a comunidade médica, que busca unir o que há de mais moderno em ciência global com as adaptações necessárias ao território nacional.

O Diagnóstico é, Antes de Tudo, uma Conversa

Embora exames sofisticados ganhem as manchetes, o “padrão ouro” do diagnóstico no Brasil continua sendo clínico. O processo começa com a anamnese — uma entrevista detalhada com o paciente e seus familiares. O objetivo é mapear lapsos de memória, dificuldades de linguagem e alterações comportamentais, como apatia ou depressão.

Essa análise permite classificar a doença em três estágios principais:

  1. Pré-clínico: O paciente é assintomático, mas já apresenta biomarcadores positivos.
  2. Comprometimento Cognitivo Leve: Surgem dificuldades motoras e de linguagem que ainda não impedem a autonomia.
  3. Demência: Quando os sintomas passam a interferir diretamente nas atividades cotidianas e na independência do indivíduo.

A Ciência das Proteínas e o Papel dos Biomarcadores

A grande evolução recente está nos biomarcadores. Médicos agora buscam identificar no líquido cefalorraquidiano (que envolve o sistema nervoso) a redução da proteína beta-amiloide e o aumento da proteína tau.

Essas substâncias são os “rastros” da doença: a beta-amiloide forma placas que danificam os neurônios, enquanto a tau cria emaranhados que levam à perda celular progressiva. “Essa é justamente a característica da doença de Alzheimer: a perda celular”, explica a Dra. Sonia Brucki, professora da FMUSP.

Realidade Brasileira: Tecnologia com Eficiência

Desde 2005, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) publica consensos para nortear os médicos do país. A última atualização, de 2022, reforça a importância de exames obrigatórios, como a Ressonância Magnética e o PET-FDG (que mede o consumo de glicose no cérebro), mas faz uma ressalva importante sobre a realidade local.

Em regiões onde o acesso a tecnologias avançadas é limitado, a Tomografia Computadorizada — mais barata e disponível — cumpre o papel essencial de descartar outras causas, como tumores ou problemas vasculares.

“Se a pessoa já está em um estágio mais avançado e o médico pede esses biomarcadores [caros], isso não faz sentido nem para o paciente, nem para o diagnóstico”, alerta o neurologista Renato Anghinah.

O foco atual é a atenção primária. A recomendação é que testes cognitivos de rastreio sejam feitos logo no primeiro atendimento. Assim, o sistema de saúde brasileiro busca não apenas diagnosticar mais, mas diagnosticar de forma inteligente: garantindo acurácia, reduzindo custos desnecessários e, acima de tudo, proporcionando dignidade e suporte precoce aos pacientes e suas famílias.

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