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Caixa atinge R$ 820 milhões em renegociações no Desenrola e projeta uso do FGTS

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A nova fase do programa Desenrola Brasil já apresenta resultados expressivos na Caixa Econômica Federal. O presidente da instituição, Carlos Vieira, anunciou que o banco renegociou R$ 820 milhões em dívidas. O balanço soma-se ao esforço nacional do programa, que, segundo o Ministério da Fazenda, já se aproxima da marca global de R$ 1 bilhão em débitos regularizados.

Lançada no início do mês, a iniciativa tem duração prevista de 90 dias. O foco é oferecer suporte a famílias, estudantes e microempreendedores que buscam limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito, oferecendo descontos de até 90% e juros reduzidos.

FGTS como aliado na mesa de negociação

Uma das grandes novidades desta etapa é a possibilidade de utilizar o saldo do FGTS para o abatimento das dívidas. Embora o presidente da Caixa tenha reconhecido que ainda há um “gap” (uma lacuna) e que o recurso ainda não foi efetivamente utilizado nas agências, a diretoria do banco garantiu que a funcionalidade estará disponível a partir do dia 25 de maio.


Combate a fraudes e investimento bilionário em tecnologia

Durante a apresentação do balanço, Carlos Vieira revelou que o aplicativo Caixa Tem sofreu um impacto financeiro de cerca de R$ 20 milhões no ano passado, decorrente de fraudes e ataques cibernéticos.

Como resposta, o banco blindou seus sistemas e projeta um investimento massivo em segurança e tecnologia para este ano:

  • Orçamento previsto: R$ 5,9 bilhões.
  • Status atual: Segundo o presidente, o índice de vulnerabilidade atual do Caixa Tem está “praticamente em zero”.

Balanço Financeiro: Lucro recua diante de provisões e alerta no Agro

No âmbito financeiro, a Caixa fechou o primeiro trimestre com um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões — o que representa uma retração de 34,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O motivo da queda: O resultado foi diretamente impactado pelo aumento nas provisões para perdas com crédito (o montante reservado para cobrir possíveis calotes), que mais do que dobraram para atender às novas regras de risco do Banco Central.

Apesar da redução no lucro, a carteira de crédito do banco continua em expansão, atingindo R$ 1,4 trilhão, impulsionada pela liderança histórica no financiamento imobiliário.

Cenário da Inadimplência

A taxa de inadimplência geral do banco encerrou o trimestre em 3,71%. Enquanto os setores imobiliário e comercial (Pessoa Física e Jurídica) seguem em níveis confortáveis, o agronegócio acendeu um sinal de alerta na instituição.

  • Representatividade: O setor do agro compõe 5% da carteira total da Caixa.
  • Perspectiva: A vice-presidente de Riscos, Henriete Sartori, sinalizou cautela, destacando que novos impactos de provisão ligados ao campo podem ocorrer ainda este ano. Contudo, Sartori ponderou que o ritmo de crescimento dessa inadimplência já começa a desacelerar.
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