Notícias de Marialva e Região

Comissão Adia Parecer Da Escala 6×1 Sob Pressão Por Transição De 10 Anos E Redução Do FGTS

Foto: CNI/José Paulo Lacerda

Brasília – A Comissão Especial da Câmara dos Deputados adiou para a próxima segunda-feira (25) a apresentação do parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Inicialmente, o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) estava previsto para ser divulgado nesta quarta-feira (20).

O adiamento reflete a intensa queda de braço nos bastidores do Congresso. Setores do empresariado, partidos de oposição e legendas do Centrão articulam para desidratar o texto original, exigindo uma regra de transição de uma década e flexibilizações trabalhistas.


Os Impasses e as Propostas de Mudança

O desenho do texto final virou um cabo de guerra entre as exigências do mercado e as frentes progressistas. As principais divergências giram em torno de três pontos críticos:

  • O “Plano de 10 anos”: Duas emendas de destaque — protocoladas pelos deputados Sérgio Turra (PP-RS) e Tião Medeiros (PP-PR), ambas com apoio de mais de 170 parlamentares — sugerem que o fim da escala 6×1 só passe a valer integralmente dez anos após a promulgação da PEC.
  • Corte de Benefícios: A proposta liderada por Turra prevê contrapartidas duras para os trabalhadores, como a redução da alíquota do FGTS patronal de 8% para 4% e a isenção temporária da contribuição previdenciária das empresas (atualmente em 20%).
  • Categorias Excluídas: Setores considerados “essenciais” (saúde, segurança, infraestrutura crítica e abastecimento) ficariam de fora da nova regra, mantendo a jornada atual de 44 horas semanais.

O posicionamento das bancadas: O bloco de apoio às emendas que flexibilizam a proposta é encabeçado pelo PL (61 assinaturas), seguido por PP (32), União Brasil (23), Republicanos (17) e MDB (13).


Em Busca do Meio-Termo

Apesar do adiamento da leitura do relatório, o presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), garantiu que o cronograma de votação do colegiado está mantido para o dia 26 de maio. Santana admitiu que o adiamento foi necessário para construir um consenso mínimo, mas mandou um recado à base trabalhadora:

“Há diálogos, sem dúvida alguma. São pontos a serem esclarecidos, são pontos a serem acordados, mas o sentimento (…) é que é pensando em você [trabalhador]”, declarou.

Posição no DebateProposta de TransiçãoImpacto no Salário/Benefícios
Bancada GovernistaImediata (Sem transição)Sem redução de salários ou direitos
Relator (Leo Prates)Intermediária (2 a 4 anos)Busca de equilíbrio setorial
Oposição e CentrãoLongo prazo (10 anos)Redução do FGTS (8% para 4%) e exclusão de essenciais

O Palácio do Planalto segue blindando a proposta de cortes salariais ou transições excessivamente longas. Como alternativa de meio-termo, o relator Leo Prates sinalizou interlocutores que estuda fixar um prazo de transição mais enxuto, entre 2 e 4 anos, tentando destravar o impasse antes que o texto vá a voto na próxima semana.

plugins premium WordPress