
Foto: PCPR
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) desarticulou, nesta terça-feira (26), uma complexa rede criminosa que tentava fincar raízes no estado. Em uma megaoperação que se estendeu por 16 cidades de cinco estados diferentes, as forças de segurança prenderam 33 suspeitos ligados a uma facção de atuação nacional. A ofensiva marca a estreia do novo Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), criado recentemente pela nova Lei Orgânica da instituição.
No total, a ação mobilizou helicópteros e cães de faro para dar cumprimento a 32 mandados de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão. Durante as buscas, a apreensão de armas, munições e drogas resultou ainda em uma prisão em flagrante. Os alvos estavam espalhados por municípios do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Pará.
O início de tudo: A pista de Bocaiuva do Sul
O fio da meada que levou à operação de hoje começou a ser puxado em julho de 2025. Na ocasião, o grupo realizou uma violenta tentativa de roubo a banco em Bocaiuva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A pronta resposta das forças de segurança estaduais resultou na prisão de 10 envolvidos e na apreensão de um verdadeiro arsenal: armas de grosso calibre, pistolas, explosivos, drogas e dinheiro.
O avanço das investigações trouxe respostas cruciais nos meses seguintes:
- Outubro de 2025: A PCPR localizou e prendeu, em Luiz Alves (SC), o mentor intelectual do assalto. Mesmo atrás das grades na época do crime, ele conseguiu planejar a ação e fornecer os armamentos pesados.
- A Estratégia: A polícia descobriu que o roubo à agência bancária não era um caso isolado. O dinheiro seria usado para financiar a instalação de uma célula da facção em solo paranaense.
“O objetivo do roubo ao banco era a obtenção de valores para financiar a instalação de uma célula desse grupo no estado do Paraná”, explicou o delegado Rodrigo Brown.
Advogados no crime e líderes na mira
A investigação revelou uma estrutura hierárquica bem definida, que contava com divisões de comando, conselhos de decisão, administração financeira e gerência do tráfico de drogas.
Entre os detidos nesta terça-feira, chamou a atenção a prisão de dois advogados. Segundo a PCPR, eles abusavam de suas prerrogativas profissionais para atuar como “mensageiros”, levando ordens e atualizações das lideranças presas para os criminosos que operavam nas ruas.
A polícia ainda busca por um integrante que permanece foragido. Ele é apontado como mandante de diversos homicídios na Grande Curitiba e tinha a função de fiscalizar o cumprimento das ordens da facção, além de organizar confrontos armados contra as forças policiais.
O foco no Litoral e o novo DRACO
A inteligência da PCPR constatou que o plano de expansão do grupo mirava fortemente o tráfico de entorpecentes no Litoral paranaense, além do comércio ilegal de armas de fogo e munições no Paraná e estados vizinhos.
Com a criação do DRACO, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná sinaliza tolerância zero contra a entrada de grandes facções. O foco do novo departamento é sufocar financeiramente e logisticamente essas estruturas antes que consigam replicar os cenários de extrema violência vistos em outras regiões do país.