
Foto: COA-IAT
Em uma força-tarefa aérea para combater os impactos do desmatamento e do extrativismo ilegal, o Instituto Água e Terra (IAT) realizou a dispersão de 700 mil sementes de palmito-juçara (Euterpe edulis) em áreas protegidas do Litoral do Paraná. A operação, coordenada pelo Centro de Operações Aéreas (COA-IAT), utilizou aeronaves para semear pontos estratégicos da Mata Atlântica que sofreram degradação ambiental.
A ação focou em quatro Unidades de Conservação de Proteção Integral:
- Matinhos: Parque Estadual do Rio da Onça
- Paranaguá: Estação Ecológica de Guaraguaçu
- Guaratuba: Parque Estadual do Boguaçu
- Morretes, Piraquara e Quatro Barras: Parque Estadual Pico do Marumbi
Alvos estratégicos e combate ao crime ambiental
Diferente de um lançamento aleatório, a semeadura aérea seguiu coordenadas geográficas precisas. Os locais foram selecionados pelos gestores das próprias unidades com base em relatórios de crimes ambientais, especialmente áreas que sofreram com a extração ilegal do palmito.
“Não é um lançamento aleatório, ele será monitorado posteriormente para verificar a eficácia da ação”, garantiu José Volnei Bisognin, diretor-presidente do IAT.
As sementes utilizadas são frutos de coletas do próprio órgão ambiental e de doações de entidades parceiras, como o Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, o Instituto Juçara de Agroecologia, a Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu Produzindo Vida (APOQI) e o Distrito 4730 do Rotary Club.
A urgência de salvar a Juçara
A palmeira-juçara é uma espécie nativa da Floresta Atlântica, presente desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Historicamente visada pelo mercado gastronômico, a planta entrou na lista de espécies ameaçadas de extinção devido ao extrativismo predatório.
Diferente de outras palmeiras, a retirada do palmito-juçara provoca a morte inevitável da árvore, o que colapsa a estrutura da floresta. Na natureza, seus frutos alimentam dezenas de animais, funcionando como uma espécie-chave para a fauna local:
| Papel na Fauna | Animais Beneficiados |
| Dispersores de sementes | Tucanos, jacutingas, jacus, sabiás e arapongas |
| Consumidores de frutos/sementes | Cutias, antas, catetos e esquilos |
Paciência e tecnologia para o futuro da floresta
A escolha pela dispersão aérea se justifica pelas características biológicas da planta. A juçara é uma espécie de sub-bosque (cresce sob a sombra de árvores maiores) e sua germinação é lenta e heterogênea. Suas sementes formam “bancos” no solo, esperando o momento ideal de luz e umidade para crescer. Como a árvore leva de 6 a 10 anos para atingir a idade reprodutiva, a intervenção humana acelera a recuperação desses ecossistemas.
Além do impacto ambiental direto, o IAT busca conscientizar a população. O órgão reforçou que mantém 19 viveiros estaduais que fornecem mudas nativas gratuitamente para os cidadãos.
A intenção das autoridades regionais é transformar a iniciativa em um programa contínuo. “É uma ação que planejamos executar novamente no futuro, uma iniciativa importante para a regeneração do meio ambiente que precisa ser repetida sempre”, concluiu Altamir Hacke, chefe da regional do IAT no Litoral.