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Com nove presidentes em uma década, país vizinho vive segundo turno polarizado entre o fujimorismo e a esquerda camponesa.
O Peru vive um domingo decisivo. Cerca de 27 milhões de eleitores comparecem às urnas neste dia 7 de junho para escolher o próximo presidente da República. O pleito carrega o peso de tentar estabilizar uma nação que, sufocada por uma crise política crônica, viu passar nove presidentes nos últimos dez anos — reflexo do enorme poder do Parlamento, que destituiu seis mandatários desde 2016.
A disputa deste segundo turno coloca em lados opostos duas visões de país: a direitista Keiko Fujimori, que liderou o primeiro turno com 17,1% dos votos, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que avançou com 12%.
Apesar da vantagem numérica inicial de Keiko, o cenário é de pura incerteza.
O Tabuleiro Político: Polarização e Heranças
A eleição atual reflete as profundas divisões da sociedade peruana, dividida entre o legado do fujimorismo e a força do voto rural e anti-establishment.
Keiko Fujimori (Direita)
- O Trunfo: Herda a base eleitoral fiel de seu pai, o ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000).
- O Obstáculo: Carrega também a alta rejeição ao regime do pai, marcado por crimes contra os direitos humanos e escândalos de esterilização forçada.
- Análise: Especialistas apontam que a presença de Keiko costuma ativar uma forte onda de “voto anti-Fujimori”, o que equilibra a disputa.
Roberto Sánchez (Esquerda)
- O Trunfo: Ex-ministro e aliado do ex-presidente Pedro Castillo, Sánchez adotou o chapéu de palha (símbolo de Castillo) para atrair o eleitorado do interior e das populações indígenas.
- A Proposta: Defende reformas sociais profundas e a criação de uma nova Assembleia Constituinte para enterrar a atual Carta Magna, herdada da era Fujimori.
O Impacto Geopolítico na América Latina
A vitória de qualquer um dos candidatos trará reflexos para a diplomacia sul-americana, hoje predominantemente alinhada a Washington em países como Argentina, Equador e Chile.
| Candidato | Alinhamento Esperado | Cenário de Governabilidade |
|---|---|---|
| Keiko Fujimori | Alinhamento automático com os EUA de Donald Trump e com a extrema-direita continental. | Deve enfrentar forte resistência das ruas e do eleitorado anti-fujimorista. |
| Roberto Sánchez | Postura pragmática; sem rupturas drásticas com os EUA ou vizinhos de direita. | Tendência de sofrer forte oposição do Congresso logo no início do mandato. |
Exportar para as Planilhas
“Sánchez representa um pragmatismo. Caso vença, sua prioridade será a sobrevivência política e a consolidação do governo, já que o Congresso tentará desestabilizá-lo desde o primeiro dia”, avalia o antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Unifesp.
Entenda a “Dança das Cadeiras” Presidencial (2011 – 2026)
Para compreender o tamanho do desafio do novo governante, basta olhar o histórico recente de colapsos institucionais no Peru:
- Ollanta Humala (2011-2016): Foi o último presidente a conseguir concluir o mandato. Em 2025, foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro no âmbito do caso Odebrecht.
- Pedro Castillo (2021-2022): Eleito contra Keiko Fujimori, tentou dar um golpe de Estado ao dissolver o Parlamento. Foi destituído, preso e condenado a 11 anos de prisão.
- Dina Boluarte (2022-2025): Assumiu como vice de Castillo. Seu governo foi marcado por protestos violentos que deixaram 49 mortos. Com popularidade no chão, foi destituída pelo Congresso em outubro de 2025.
- José Jerí (2025-2026): Presidente do Parlamento, assumiu o Executivo, mas durou apenas quatro meses antes de ser derrubado pelo próprio Legislativo.
- José María Balcázar Zelada (2026): Escolhido indiretamente pelo Congresso, governa interinamente até a posse do presidente eleito neste domingo.