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TCU Aprova Contas de Lula de 2025 com Alertas sobre Dívida e Empréstimo aos Correios

Foto: Samuel Figueira/TCU

O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (10), o balanço financeiro e orçamentário do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referente ao ano de 2025. Apesar do aval do tribunal, a aprovação foi acompanhada de duras ressalvas e alertas emitidos pela corte de contas, que apontou fragilidades no controle de renúncias fiscais e na sustentabilidade da dívida pública.

O voto do relator, ministro Benjamin Zymler, foi seguido integralmente pelos demais integrantes da corte. Embora tenha classificado as demonstrações contábeis como “fidedignas”, Zymler fez críticas contundentes a atos de gestão da máquina pública e à flexibilização de metas fiscais por meio de manobras legislativas.

A sessão extraordinária realizada na sede do tribunal contou com a presença de três ministros do Executivo: Bruno Moretti (Planejamento), Vinícius de Carvalho (Controladoria-Geral da União) e Miriam Belchior (Casa Civil).


O “Cheque em Branco” aos Correios

Uma das principais frentes de desgaste apontadas no relatório técnico foi o aporte financeiro de R$ 12 bilhões destinado aos Correios. De acordo com o TCU, a União concedeu garantias para a liberação do empréstimo sem a devida fundamentação técnica ou avaliação de riscos.

“Não houve um exame adequado do plano de recuperação nem dos riscos fiscais associados à concessão de garantia, pela União, ao empréstimo tomado à Empresa de Correios e Telégrafos”, alertou Benjamin Zymler durante a leitura de seu voto.


Meta Fiscal e Despesas “Invisíveis”

O relatório reconheceu o cumprimento formal da meta fiscal estipulada para 2025 — que previa o equilíbrio entre receitas e despesas, com uma margem de tolerância de até 0,25% de déficit. No entanto, o TCU expôs as “cicatrizes” contábeis desse resultado:

  • Déficit Real: O rombo do Governo Central (que engloba Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) atingiu 0,47% do PIB, o equivalente a R$ 58,6 bilhões.
  • Créditos Fora da Meta: Outros R$ 48,7 bilhões em despesas foram autorizados pelo Congresso a tramitar “por fora” do cálculo oficial da meta. Conforme alertou o relator, esse tipo de exclusão mina a credibilidade das regras fiscais vigentes no país.

Para estabilizar de fato a trajetória da dívida pública brasileira, o corpo técnico do TCU estima que o país não precisaria apenas de um equilíbrio, mas sim de um superávit primário de 1,94% do PIB.


Raio-X das Contas Públicas: Rigidez e Renúncias

Os números apresentados pelo tribunal detalham um cenário de forte engessamento do orçamento federal e de perda de arrecadação por subsídios:

Indicador EconômicoDado Apresentado pelo TCUImpacto Prático
Gastos Obrigatórios91,4% do orçamento totalExtrema rigidez; margem quase nula para investimentos livres.
Renúncias FiscaisR$ 544 bilhões (4,7% do PIB)Subsídios e isenções que desidratam o esforço de arrecadação.
Isenções sem Prazo47% do total de renúnciasBenefícios fiscais perpétuos, sem data para acabar ou caducar.
Falta de Avaliação47% das 21 principais políticasProgramas que recebem dinheiro público sem auditoria de eficácia.

Exportar para as Planilhas

Além disso, a macroeconomia jogou contra o fechamento das contas. O TCU sublinhou o impacto severo da taxa básica de juros (Selic), atualmente mantida em 14,5% ao ano, patamar que encarece drasticamente o custo de rolagem e o carregamento da dívida pública brasileira.


Próximos Passos

O documento chancelado pelo TCU não encerra o rito de forma definitiva. O parecer prévio emitido pela corte de contas agora será enviado formalmente ao Congresso Nacional. Cabe ao Poder Legislativo fazer o julgamento político final e deliberar se a execução orçamentária do governo Lula cumpre, em última instância, os ditames do novo arcabouço fiscal.

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