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Paranaenses são convocados para o Junho Vermelho: estoques de sangue O+ e O- precisam de reposição urgente

Foto: César Yukio Yokoyama/Arquivo pessoal

Em celebração ao Dia Mundial do Doador de Sangue, comemorado neste domingo (14), o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), lançou um apelo urgente à população. Integrada à campanha Junho Vermelho, a mobilização busca reverter a queda recente nos estoques dos tipos sanguíneos O positivo (O+) e O negativo (O-), considerados estratégicos e de alta demanda nas redes de urgência e emergência dos hospitais.

Apesar do desafio atual, o espírito solidário do estado vem apresentando crescimento histórico. O volume de bolsas de sangue coletadas saltou de 187.128 em 2023 para 214.377 em 2025 — um aumento de quase 15%. Em 2026, o ritmo continua acelerado: mais de 86 mil bolsas já foram contabilizadas, superando em 3% o mesmo período do ano passado. No entanto, o secretário de Saúde, César Neves, reforça que o esforço precisa ser contínuo.

“A nossa hemorrede é viva e a demanda dos hospitais não para. Manter esses estoques abastecidos é uma responsabilidade coletiva para garantir que nenhuma cirurgia ou atendimento de urgência seja interrompido no Estado”, alertou o secretário.

Histórias que se cruzam pelas veias

Para quem doa, o ato carrega um propósito de vida; para quem recebe, significa a chance de um futuro. O advogado César Yukio Yokoyama, de 57 anos, tornou-se doador frequente há uma década. Com cerca de 45 doações de plaquetas no currículo, ele descobriu o impacto silencioso do seu tipo sanguíneo, o AB+.

“Saber que o meu sangue vai para os seres mais frágeis do hospital, como bebês que mal começaram a vida, deu um sentido totalmente novo”, relatou César, lembrando que as plaquetas têm validade de apenas cinco dias.

Na outra ponta do ciclo está a administradora de empresas Leisse Vieira, de 43 anos. Diagnosticada com Talassemia Major — doença genética que afeta a produção de glóbulos vermelhos —, ela depende de transfusões de sangue a cada três ou quatro semanas e frequenta o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) há 39 anos.

“O doador me sustenta, me dá a oportunidade de viver mais e melhor. Tem pessoas incríveis por aí que têm a intenção no coração de ajudar a melhorar o mundo. Doe sangue. Não vai te fazer falta e gera felicidade para quem doa e para quem recebe”, testemunhou Leisse.

Uma rede integrada que salva vidas a quilômetros de distância

O Hemepar é o coração de uma engrenagem que abastece 384 hospitais e dá suporte a 96,6% dos leitos do SUS no Paraná. Diariamente, cerca de 700 hemocomponentes são distribuídos pela rede.

De acordo com Vivian Raksa, diretora do Hemepar, o grande diferencial do estado é a atuação 100% integrada. Isso significa que uma bolsa de sangue coletada no interior pode ser utilizada na capital ou em qualquer outra região que apresente necessidade imediata, garantindo atendimento linear em todo o território paranaense.

Para intensificar a captação neste mês, hemocentros e Unidades de Coleta e Transfusão (UCT) de todo o Paraná organizaram uma programação especial que inclui:

  • Coletas externas e transporte gratuito para grupos de doadores;
  • Blitze educativas em semáforos e panfletagem;
  • Palestras de conscientização em escolas, universidades e empresas parceiras.

Quem pode doar?

Para manter o fluxo de atendimento e evitar filas, o Hemepar orienta que os voluntários realizem o agendamento prévio pelo site oficial. Confira os principais requisitos para a doação:

RequisitoCritério
IdadeEntre 16 e 69 anos completos (menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal).
PesoMínimo de 50 quilos.
Frequência MasculinaAté 4 doações anuais (intervalo mínimo de 2 meses).
Frequência FemininaAté 3 doações anuais (intervalo mínimo de 3 meses).
Condições físicasEstar alimentado, hidratado, descansado e evitar alimentos gordurosos nas horas que antecedem a coleta.
DocumentaçãoApresentar documento oficial com foto.

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