
Foto: Geraldo Bubniak/AEN
A engrenagem da segurança pública no Paraná ganhou um reforço histórico. Em um movimento estratégico de descentralização, a Polícia Científica do Paraná (PCIPR) dobrou sua presença no Estado nos últimos anos. O que em 2018 era uma rede limitada a apenas dez unidades plenas, hoje transformou-se em uma estrutura robusta com 20 unidades operacionais e cinco postos avançados, cobrindo os 399 municípios paranaenses.
O salto na capilaridade do órgão é fruto de um investimento robusto do Governo do Estado, que injetou mais de R$ 16,7 milhões em obras, equipamentos de ponta e estruturação de novas bases. A estratégia tira o foco exclusivo dos grandes centros e leva a tecnologia forense para mais perto da população do Interior.
O Novo Mapa da Perícia Forense no Paraná
A expansão levou unidades completas a municípios estratégicos, equilibrando a carga de trabalho e agilizando as investigações.
Cidades que receberam novas estruturas:
- Unidades Plenas: Apucarana, Campo Mourão, Ivaiporã, Jacarezinho, Paranavaí, Pato Branco, Telêmaco Borba, Toledo e União da Vitória.
- Postos Avançados: Irati, Cianorte, Loanda, Matinhos e a Casa da Mulher Brasileira (em Curitiba).
O modelo inovador de Ponta Grossa
Um dos grandes marcos dessa nova fase é a sede de Ponta Grossa. Com um aporte de R$ 15,4 milhões, a estrutura de 2,8 mil metros quadrados foi construída dentro do campus da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) — tornando-se a primeira unidade da PCIPR inserida no ambiente universitário. O local conta com um catálogo de 122 tipos de exames periciais, elevando o patamar da produção de provas técnicas na região dos Campos Gerais.
Menos Deslocamento, Mais Humanização
A regionalização resolve um gargalo histórico: o tempo gasto com o deslocamento de equipes e corpos. O caso do novo Posto Avançado de Irati ilustra bem esse impacto. Antes, dez municípios da região Centro-Sul dependiam do suporte de Guarapuava, União da Vitória ou Ponta Grossa. Agora, o atendimento é local.
Em Telêmaco Borba, a nova sede atende outros nove municípios, oferecendo desde a perícia de criminalística tradicional até serviços complexos de tanatologia forense (necropsias, exames de lesão corporal e exames de violência sexual).
“A realização de exames periciais de forma regionalizada possibilita que as prioridades locais sejam consideradas de maneira mais imediata. A proximidade com as realidades regionais também contribui para maior integração das informações disponíveis no contexto investigativo, fortalecendo a produção de laudos periciais consistentes e tecnicamente fundamentados”, explica o diretor operacional da PCIPR, Leonel Letnar.
Tecnologia e Padrão de Qualidade: O Papel da CECOMP
Além das paredes e laboratórios, a revolução da PCIPR passa pela tecnologia. Criada em 2021, a Central de Comunicação Operacional da Polícia Científica (CECOMP) funciona como o “cérebro” das operações.
Através do monitoramento em tempo real, os operadores identificam e acionam a viatura mais próxima da ocorrência. O resultado é direto e humano:
- Cenas de crime mais preservadas: A chegada rápida dos peritos garante vestígios mais íntegros e provas robustas.
- Acolhimento às famílias: Reduz-se drasticamente o tempo de espera e a exposição das vítimas no local do fato.
A CECOMP já gerenciou cerca de 38 mil ocorrências, gerando dados valiosos para o mapeamento e planejamento estratégico da segurança pública.
E para garantir que uma perícia feita no interior tenha o mesmo rigor técnico da capital, a PCIPR unificou suas diretrizes por meio dos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs). Essa padronização metodológica garante segurança jurídica e laudos incontestáveis, blindando a cadeia de custódia e fortalecendo o sistema de justiça de ponta a ponta do Paraná.