
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
O Banco Central revisou para cima sua estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026. De acordo com o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25), a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2%, refletindo o desempenho acima do esperado da atividade econômica no início do ano e perspectivas mais favoráveis para setores estratégicos.
A revisão ocorre após o PIB registrar expansão de 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os últimos três meses de 2025. O resultado foi impulsionado pelo avanço simultâneo da agropecuária, da indústria e dos serviços, levando a autoridade monetária a melhorar suas estimativas para a produção e para a demanda interna.
Segundo o Banco Central, a expectativa é de maior dinamismo do consumo das famílias e dos investimentos privados, favorecidos por medidas de estímulo fiscal e expansão do crédito. Por outro lado, a instituição ressalta que o nível ainda elevado dos juros tende a limitar parte desse impulso sobre a economia.
O relatório também destaca que o cenário internacional continua cercado de incertezas. Os conflitos no Oriente Médio seguem pressionando os preços globais de combustíveis e alimentos, o que impacta diretamente a economia brasileira e dificulta previsões mais precisas para o crescimento.
No campo monetário, o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém atenção redobrada sobre a inflação. Após iniciar o ciclo de redução dos juros em março, a taxa Selic foi cortada pela terceira reunião consecutiva, chegando a 14,25% ao ano. Ainda assim, o BC avalia que fatores externos continuam representando riscos para o controle dos preços.
As projeções para a inflação também foram revisadas. A autoridade monetária passou a enxergar maior probabilidade de o índice ultrapassar o teto da meta de 4,5% em 2026. Entre os fatores que explicam essa piora estão a alta recente do IPCA, a valorização das commodities e do petróleo no mercado internacional, além da elevação das expectativas inflacionárias.
No horizonte de política monetária, que atualmente alcança o quarto trimestre de 2027, a inflação projetada está em 3,7%, acima das estimativas anteriores, mas ainda dentro da faixa considerada compatível com a convergência para a meta.
Em relação ao crédito, a previsão de expansão total das operações financeiras foi mantida em 9% para 2026. O Banco Central espera desaceleração no crédito livre, compensada pelo avanço das linhas direcionadas, impulsionadas por programas governamentais voltados a famílias, microempreendedores e pequenas empresas.
Nas contas externas, a instituição reduziu a projeção para o déficit em transações correntes para US$ 56 bilhões, equivalente a 2,1% do PIB. O ajuste reflete principalmente a expectativa de exportações mais fortes, favorecidas pelo aumento dos preços internacionais de commodities como soja, carne bovina e petróleo.
Apesar da melhora das perspectivas para atividade econômica e setor externo, o Banco Central ressalta que o cenário permanece sujeito a riscos relevantes, especialmente em função das tensões geopolíticas e de seus efeitos sobre a inflação e o crescimento global.