
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A desigualdade salarial entre homens e mulheres é menos acentuada nas entidades sem fins lucrativos do que nas empresas privadas e na administração pública. A constatação está em levantamento divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre) referentes a 2024.
De acordo com o estudo, o Brasil contabilizava 10,6 milhões de empresas e organizações ativas no ano passado. Juntas, elas pagavam remuneração média mensal de R$ 3,9 mil, equivalente a 2,8 salários mínimos da época.
Na média geral, os homens receberam R$ 4,2 mil por mês, enquanto as mulheres tiveram rendimento médio de R$ 3,9 mil. Isso significa que os salários masculinos foram 16,6% superiores aos femininos.
Quando os dados são analisados por natureza jurídica, as entidades sem fins lucrativos apresentam a menor diferença entre os sexos. Nesse grupo, as mulheres recebiam, em média, R$ 3.589,82, valor correspondente a 95,3% da remuneração masculina, estimada em R$ 3.768,81.
As entidades sem fins lucrativos incluem organizações sociais, fundações privadas, sindicatos, condomínios e instituições religiosas, entre outras. Para a gerente de Análise e Disseminação do IBGE, Caroline Santos, o resultado pode estar relacionado ao perfil dessas organizações e às áreas em que atuam.
Segundo a pesquisadora, muitas dessas entidades desenvolvem atividades ligadas à assistência social, saúde e serviços comunitários, setores que tradicionalmente concentram maior participação feminina. Esse cenário pode contribuir para reduzir as diferenças salariais entre homens e mulheres.
Nas empresas privadas, a desigualdade é mais expressiva. O rendimento médio das mulheres foi de R$ 2.996,79, enquanto os homens receberam R$ 3.838,67. Nesse segmento, a remuneração feminina correspondeu a 78,1% da masculina.
Já na administração pública, que engloba os três níveis de governo e os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, as mulheres ganharam, em média, R$ 4.967,51, contra R$ 6.058,19 dos homens. A proporção equivale a 82% dos salários masculinos.
Caroline Santos observa que áreas como educação e saúde, predominantes no setor público e com forte presença feminina, costumam oferecer remunerações menores em comparação com outras carreiras, o que também ajuda a explicar a diferença salarial observada.
Apesar da vigência da Lei de Igualdade Salarial, sancionada em 2023 e que determina remuneração igual para homens e mulheres que exercem a mesma função, a disparidade permanece quando se analisam as médias gerais. Entre os fatores apontados para essa diferença estão a menor participação feminina em cargos de liderança e as interrupções na carreira relacionadas à maternidade.
O levantamento também mostra que os 10,6 milhões de CNPJs ativos em 2024 empregavam cerca de 68 milhões de pessoas. Desse total, 54,2 milhões eram trabalhadores assalariados e 13,8 milhões correspondiam a sócios e proprietários.
Do total de organizações registradas no país, 9,5 milhões eram empresas, 1,1 milhão entidades sem fins lucrativos e 59,4 mil instituições da administração pública. Em comparação com 2022, início da atual série histórica do estudo após mudança metodológica, o número de empresas e organizações cresceu 12,5%, enquanto o contingente de pessoas ocupadas aumentou 8,4%.