
Foto: CNN Brasil
Com a proximidade do início oficial das campanhas eleitorais, a corrida presidencial ganha contornos decisivos nos bastidores dos estados. Os dois principais nomes na liderança das pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pisaram no acelerador para consolidar suas alianças regionais. Até o momento, o petista exibe uma articulação mais avançada, com palanques definidos em 25 unidades federativas, enquanto o parlamentar fluminense assegurou apoios em pelo menos 15 estados.
De acordo com um levantamento que cruza anúncios oficiais, formalizações partidárias e declarações em redes sociais, a estratégia de Lula prioriza o pragmatismo das alianças em detrimento do purismo partidário. Por outro lado, a ala liderada por Flávio Bolsonaro aposta em cabeças de chapa do próprio PL, mas esbarra em resistências geográficas decorrentes da rejeição ao seu campo político.
A estratégia de Lula: Alianças amplas sobrepõem candidaturas próprias
Para garantir uma base sólida e palanques competitivos, o Partido dos Trabalhadores (PT) optou por recuar em diversas praças para abrigar aliados de centro e centro-esquerda. O partido lançará apenas dez candidatos próprios aos governos estaduais. O restante do tabuleiro lulista é composto por uma ampla rede de apoio:
- PSD: 5 candidatos apoiados
- PSB: 3 candidatos apoiados
- MDB e PDT: 2 candidatos cada
- União Brasil, PP e Republicanos: 1 candidato cada
Os nós que o PT ainda precisa desatar
Apesar do avanço, Lula ainda enfrenta indefinições em duas praças importantes:
- Minas Gerais: O estado é considerado o maior gargalo. O PT insiste no nome de Marília Campos, ex-prefeita de Contagem. No entanto, ela resiste à ideia de disputar o governo e foca seus planos na corrida para o Senado.
- Goiás: O ex-deputado estadual Luís César Bueno colocou seu nome à disposição, mas a executiva do partido ainda testa outras opções antes de bater o martelo.
A estratégia de Flávio: Força no Sul e Centro-Oeste, mas barreira no Nordeste
O senador Flávio Bolsonaro tem liderado as costuras políticas do PL com um desenho focado em candidaturas puras: a legenda planeja ter ao menos onze candidatos próprios aos governos estaduais. Embora conte com o apoio consolidado de legendas como PP, Republicanos e Podemos, o grupo enfrenta dificuldades de penetração.
Enquanto as regiões Sul e Centro-Oeste — onde o bolsonarismo historicamente pontua melhor — já estão com os palanques pacificados, o Nordeste e partes das regiões Norte e Sudeste concentram as maiores indefinições de Flávio, totalizando seis estados sem palanque definido.
O fator rejeição: Em estados nordestinos, candidatos competitivos evitam colar suas imagens à ala bolsonarista para não perder votos. Exemplos claros disso são ACM Neto (União Brasil), na Bahia, e Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco, que evitam dar palanque exclusivo ou direto ao senador.
Costuras em Tocantins
Apesar dos impasses, no Norte as negociações avançam nos bastidores. No Tocantins, desenha-se o apoio à Professora Dorinha (União Brasil) para o governo, em uma engenharia política que visa blindar e garantir a reeleição do senador Eduardo Gomes (PL).
Minas Gerais: O único consenso é a incerteza
Se há um ponto de convergência entre as duas principais forças políticas do país, é a complexidade do cenário mineiro. Minas Gerais é o único estado onde tanto Lula quanto Flávio estão travados.
Enquanto o PT tenta convencer Marília Campos a aceitar a missão, o grupo de Flávio Bolsonaro aguarda uma definição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O parlamentar ainda não sinalizou se pretende disputar o Palácio Tiradentes, deixando a oposição de direita em compasso de espera antes de buscar uma alternativa viável no segundo maior colégio eleitoral do país.