
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Impulsionada por commodities e recorde na corrente de comércio, o desempenho otimista faz o MDIC elevar a projeção de saldo positivo para US$ 90 bilhões até o fim do ano.
O comércio exterior brasileiro acaba de registrar um de seus meses mais aquecidos da história. Puxado pelo forte desempenho do petróleo, do minério de ferro, da soja e das carnes, o país alcançou um superávit comercial de US$ 9,8 bilhões no mês de junho. O montante representa um salto impressionante de 66,6% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Além do saldo positivo, o Brasil atingiu um marco inédito: a corrente de comércio (a soma de todas as importações e exportações) chegou a US$ 62,8 bilhões, o maior valor já documentado para um único mês em toda a série histórica.
Raio-X de Junho
O resultado consagra este mês de junho como o terceiro melhor da história, ficando atrás apenas dos desempenhos de 2021 e 2023. Veja o detalhamento dos indicadores gerais:
| Indicador | Valor em Junho | Variação (Ano a Ano) |
| Superávit | US$ 9,8 bilhões | +66,6% |
| Exportações | US$ 36,3 bilhões | +24,9% |
| Importações | US$ 26,5 bilhões | +14,4% |
| Corrente de Comércio | US$ 62,8 bilhões | +20,3% |
Os Motores da Exportação
O avanço de quase 25% nas exportações foi capitaneado, sobretudo, pela força da indústria extrativa, que faturou US$ 9,9 bilhões (+58,4%). O setor foi alavancado pelo apetite internacional por petróleo bruto (alta de 78,9%) e minério de ferro (+20%).
Logo em seguida, destacam-se:
- Indústria de Transformação (US$ 18 bilhões | +14,7%): Puxada pelo salto exponencial na venda de combustíveis (+88,8%), além do forte mercado de carnes de aves (+62,4%) e bovina (+39,2%).
- Agropecuária (US$ 8,1 bilhões | +18%): Liderada pela tradicional soja (+17,3%), com destaque percentual curioso para a disparada nas exportações de animais vivos (+208,8%) e algodão bruto (+64,1%).
O Fator Europeu: Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, pontuou que, embora o radar já capte um aumento no interesse de importadores europeus, ainda é precoce mensurar o real impacto do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia nos embarques brasileiros.
Principais Mercados Compradores
As vendas brasileiras ganharam tração na maior parte dos grandes mercados globais. A Ásia continua sendo a principal parceira, absorvendo US$ 17,4 bilhões (+29,9%), seguida pela Europa com US$ 6,4 bilhões (+43,9%).
Chama a atenção o cenário na América do Norte (US$ 4,9 bilhões | +8,5%). Apesar das tensões diplomático-comerciais e das rodadas de negociação para tentar evitar novas tarifas de 25% sobre os produtos nacionais, as vendas para os Estados Unidos registraram um avanço de 3,7% apenas na passagem de maio para junho.
Cenário das Importações
O Brasil também comprou mais do exterior. O crescimento de 14,4% nas importações foi puxado pela necessidade de insumos e consumo interno:
- Bens intermediários: US$ 15,1 bilhões (+10,9%)
- Bens de consumo: US$ 5,7 bilhões (+34%)
- Bens de capital: US$ 3,5 bilhões (+5,7%)
- Combustíveis: US$ 2,2 bilhões (+11,6%)
Balanço do Semestre e Otimismo para o Ano
Com o fechamento de junho, o Brasil encerra o primeiro semestre com um saldo comercial amplamente positivo de US$ 42,4 bilhões (uma alta de 40,3% frente ao mesmo período do ano passado), fruto de US$ 184,8 bilhões em exportações contra US$ 142,4 bilhões em importações.
A robustez destes primeiros seis meses fez o governo recalcular a rota — para cima. O MDIC revisou sua projeção de superávit comercial para o fechamento do ano, saltando de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões.
A perspectiva da pasta está consideravelmente mais otimista do que a do mercado financeiro. Segundo a última edição do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, os analistas privados projetam um saldo positivo mais contido, na casa dos US$ 76,2 bilhões até o final do ano.