
Foto: REUTERS/Ciro De Luca
Em um movimento de forte teor político e humanitário, o Papa Leão aproveitou as celebrações do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, neste sábado (4), para enviar um recado direto a Washington. Em carta direcionada ao seu país natal, o pontífice cobrou que os norte-americanos acolham e protejam a população imigrante, atrelando o tema aos valores fundamentais da fé católica.
“Receber os imigrantes com compaixão e generosidade não é apenas um ato de caridade, mas também um reconhecimento da dignidade que pertence a cada pessoa”, declarou o Papa no documento enviado aos EUA.
Segundo o líder da Igreja Católica, a defesa da vida — bandeira histórica da instituição — deve, obrigatoriamente, incluir o suporte àqueles que cruzam fronteiras em busca de sobrevivência.
O cenário: Lampedusa como símbolo da crise
O apelo não foi feito ao acaso. A mensagem foi emitida durante uma visita de um dia do Papa a Lampedusa, ilha italiana que se tornou o epicentro da crise imigratória na Europa. O local funciona como a principal porta de entrada para milhares de pessoas que arriscam a vida na travessia do Mar Mediterrâneo, vindas do continente africano.
Apenas neste ano, mais de 7.000 imigrantes desembarcaram na região, pressionando as autoridades locais. Durante a visita, Leão subiu o tom contra os líderes europeus, exigindo ações mais robustas e coordenadas para lidar com o fluxo migratório.
Tensões políticas renovadas
O posicionamento do Papa Leão volta a acender os holofotes sobre sua relação tensa com a Casa Branca. No ano passado, o pontífice já havia despertado a ira do presidente Donald Trump ao classificar as políticas restritivas e anti-imigração da administração norte-americana como “desumanas”.
Ao discursar em Lampedusa, Leão ampliou o escopo de suas críticas e fez um chamado global, exortando a comunidade internacional a se tornar “mais humana” diante de crises humanitárias provocadas por guerras e pela pobreza extrema.