
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A inflação oficial do país perdeu fôlego pelo quarto mês consecutivo. Influenciado diretamente pela primeira queda no preço dos alimentos em sete meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês de junho em 0,16%.
O resultado, divulgado nesta sexta-feira (10) pelo IBGE, representa a menor taxa mensal registrada desde outubro do ano passado e veio bem abaixo das projeções do mercado financeiro, que estimava uma alta de 0,32% (Boletim Focus). Em maio, o índice havia sido de 0,58%.
O cenário em números
- Junho: 0,16% (ante 0,24% em junho do ano anterior)
- Acumulado no ano (primeiro semestre): 3,36%
- Acumulado em 12 meses: 4,64% (abaixo dos 4,72% registrados até maio, mas ainda ligeiramente acima do teto da meta governamental de 4,5%)
O alívio que vem do prato: Alimentos puxam o índice para baixo
Após meses de pressão, o grupo Alimentação e bebidas registrou queda de -0,24%, gerando o maior impacto negativo no índice do mês (-0,05 p.p.). A deflação foi puxada principalmente pelo consumo dentro dos lares, que ficou 0,39% mais barato devido ao aumento da oferta de produtos e à correção de altas anteriores.
Principais quedas no setor alimentício:
- Açaí (emulsão): -14,41%
- Café moído: -3,72%
- Óleo de soja: -2,78%
- Tomate: -2,02%
- Frutas: -1,58%
- Carnes: -0,64%
Por outro lado, comer fora de casa continuou pesando um pouco mais no bolso, com uma alta moderada de 0,15%.
Habitação e passagens aéreas jogam contra
Se a cozinha deu trégua, a conta de luz e as viagens pressionaram o orçamento. O grupo Habitação (+0,63%) foi o grande vilão do mês, impulsionado pela energia elétrica (+1,53%). O encarecimento reflete a vigência da bandeira tarifária amarela (taxação extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh) e reajustes locais em capitais como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
No setor de Transportes (+0,17%), o destaque ficou para as passagens aéreas, que saltaram 7,12%. O impacto só não foi maior porque os combustíveis recuaram 0,48% em média, com destaque para a queda do etanol (-3,09%) e do óleo diesel (-1,19%). A gasolina registrou leve recuo de 0,12%.
Raio-X da inflação: Serviços e Difusão
Inflação menos espalhada: O índice de difusão caiu para 54%, o menor nível desde outubro do ano passado. Isso significa que, dos 377 produtos e serviços monitorados, pouco mais da metade teve aumento de preço em junho, mostrando um alívio mais disseminado.
Os setores mais sensíveis aos juros e à atividade econômica também mostraram desaceleração:
- Serviços: subiram 0,34% (abaixo dos 0,40% de maio).
- Preços monitorados: avançaram 0,29% (abaixo dos 0,43% de maio).
Mira na Meta
O IPCA serve de bússola para o Banco Central calibrar a taxa básica de juros. Atualmente, a meta de inflação está fixada em 3% (com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%). Sob as novas regras de acompanhamento contínuo vigentes, a meta só é considerada oficialmente descumprida caso o teto da banda seja estourado por seis meses consecutivos. Para o encerramento do ano, a projeção do mercado financeiro se mantém em 5,3%.