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Fim da Linha: Alexandre de Moraes Decreta Trânsito em Julgado e Manda Condenados do Caso Marielle para a Cadeia

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o início imediato do cumprimento de pena para os cinco condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018.

Na decisão proferida nesta segunda-feira (13), o ministro declarou o trânsito em julgado da ação penal, o que significa que o processo está formalmente encerrado e não cabe mais nenhum tipo de recurso contra as condenações.

Chega de Adiar: O Fim das Manobras Jurídicas

Ao analisar o último recurso apresentado pelas defesas — os chamados embargos infringentes —, Moraes foi categórico ao rejeitar a apelação. Segundo o ministro, a peça jurídica tinha um nítido caráter procrastinatório, servindo apenas como um artifício para adiar a execução das sentenças.

Com a decisão, o STF põe um ponto final definitivo no trâmite judicial de um dos crimes políticos mais marcantes da história recente do país.

O Destino dos Condenados: Penas e Estabelecimentos

O julgamento de mérito realizado pela Primeira Turma do STF em fevereiro já havia definido as punições. Agora, com a ordem de prisão imediata, os réus começam a cumprir suas respectivas penas em regime fechado.

CondenadoPenaLocal de CumprimentoPapel no Crime
Domingos Brazão
(Ex-conselheiro do TCE-RJ)
76 anos e 3 mesesPresídio Constantino Cokotós (RJ)Mandante intelectual
Chiquinho Brazão
(Ex-deputado federal)
76 anos e 3 mesesPrisão Domiciliar (90 dias iniciais)Mandante intelectual
Ronald Paulo Alves Pereira
(Ex-policial militar)
56 anosPenitenciária Federal de Brasília (DF)Executor / Logística
Rivaldo Barbosa
(Ex-chefe da Polícia Civil do RJ)
18 anosPresídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8 – RJ)Planejamento e Obstrução
Robson Calixto Fonseca9 anosRegime Fechado (RJ)Cúmplice / Apoio

A Exceção Humanitária de Chiquinho Brazão

A única flexibilização no cumprimento imediato em regime fechado foi concedida ao ex-deputado Chiquinho Brazão. Diante de um quadro clínico complexo apresentado pela defesa, Moraes deferiu o regime de prisão domiciliar humanitária.

Prontuário apontado pela defesa: Doença arterial coronariana crônica, diabetes tipo 2, nefropatia e hipertensão arterial grave.

A concessão do benefício, contudo, é cercada de restrições severas:

  • Prazo inicial: 90 dias (com necessidade de nova perícia médica após o período).
  • Medidas cautelares: Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
  • Isolamento: Proibição absoluta de utilizar redes sociais e veto a visitas de terceiros (salvo familiares e advogados autorizados).

O Pano de Fundo: Grilagem de Terra e Milícia

A tese acolhida pela Primeira Turma do STF detalha que a execução de Marielle Franco foi motivada por disputas territoriais na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações e a denúncia apresentada, a atuação parlamentar de Marielle — que combatia ativamente projetos de lei voltados à regularização de terras griladas — chocava-se diretamente com os interesses econômicos e imobiliários das milícias locais, que contavam com o apadrinhamento político e financeiro dos irmãos Brazão.

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