Notícias de Marialva e Região

Transportes Pesam e Setor de Serviços Recua 0,4% em Maio, mas Consumo das Famílias Resiste

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O motor da economia brasileira deu uma leve engasgada em maio. O setor de serviços registrarou queda de 0,4% na comparação com o mês anterior, interrompendo a trajetória de alta vista em abril.

Os dados, divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), frustraram as expectativas do mercado. Analistas projetavam um cenário de estabilidade (mediana de 0,0%), dentro de um intervalo que variava de -0,3% a 0,6%.

Apesar do soluço mensal, o saldo de médio e longo prazo ainda é positivo:

  • Comparativo anual: Alta de 0,4% em relação a maio do ano anterior.
  • Acumulado do ano (janeiro a maio): Expansão de 1,9% contra o mesmo período de 2025.
  • Acumulado em 12 meses: Alta de 2,6% (embora mostre desaceleração frente aos 2,9% registrados até abril).

O “Efeito Balança” dos Serviços em Maio

O recuo de maio foi amplamente influenciado pelo desempenho das atividades de logística. Dos cinco grandes grupos pesquisados pelo IBGE, dois fecharam o período no vermelho.

Atividade AnalisadaDesempenho em Maio
Serviços profissionais, administrativos e complementares+2,0%
Serviços prestados às famílias+0,2%
Serviços de informação e comunicação0,0% (Estabilidade)
Transportes, serviços auxiliares e correio-1,0%
Outros serviços-1,9%

Por que os transportes ditaram o ritmo?

O segmento de transportes e logística tem um peso gigantesco no indicador: representa 33,67% (um terço) de toda a pesquisa. Quando ele cai, o setor inteiro sente o impacto.

De acordo com o IBGE, a retração de 1% do segmento foi puxada por:

  • Queda de 1,3% no volume de transporte de passageiros (principalmente na receita de companhias aéreas).
  • Variação negativa de 0,2% no transporte de cargas e serviços de logística rodoviária.

O Lado Positivo: Famílias de Bolso Cheio

Se a logística pesou contra, o consumo direto do cidadão funcionou como um amortecedor. Os serviços prestados às famílias subiram 0,2% e alcançaram o seu maior patamar desde dezembro de 2014.

“Esse comportamento é uma resposta direta a variáveis macroeconômicas favoráveis, como o desemprego em níveis baixos, o aumento da massa de rendimentos e uma inflação sob controle, que devolvem o poder de compra à população”, aponta Rodrigo Lobo, analista da pesquisa do IBGE.

Turismo Apresenta Leve Recuo, mas Mantém Fôlego

O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) acompanhou o tombo dos transportes e recuou 0,4% em maio. O setor, que engloba hotéis, restaurantes e agências de viagens, ainda tenta consolidar uma trajetória linear de crescimento.

Ainda assim, o turismo respira bem: o segmento acumula alta de 1,7% nos últimos 12 meses, posicionando-se confortavelmente 10,8% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020).

Retrato Geral: Onde Estamos?

Mesmo com a oscilação negativa de maio, o setor de serviços brasileiro continua operando em patamares historicamente elevados. Atualmente, o segmento está 19,6% acima do nível pré-pandemia e a apenas 0,5% de distância do seu recorde histórico, registrado em outubro de 2025.

O recuo de maio acende um sinal de alerta para o ritmo de expansão do PIB no segundo trimestre, mas o mercado segue atento para entender se a queda nos transportes foi um ajuste pontual ou o início de uma acomodação mais profunda da atividade econômica.

plugins premium WordPress