
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil. A medida, liderada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), entra em vigor no dia 22 de julho.
Apesar do impacto econômico, o chamado “tarifaço” poupou os principais pilares da pauta de exportações brasileira para o mercado americano — como itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café. Juntos, esses setores representaram um terço das vendas brasileiras aos EUA no primeiro semestre deste ano.
O Mapa do Tarifaço: Quem respira aliviado e quem foi taxado
A decisão de Washington de isentar certas commodities e produtos estratégicos não foi por acaso. O governo americano buscou blindar sua própria economia contra o risco de desabastecimento e inflação interna de itens que os EUA não produzem em quantidade suficiente ou a preços competitivos.
🟢 Setores Isentos (Livre de tarifa extra)
- Aeroespacial e Energia: Itens de aviação civil e petróleo.
- Agronegócio e Alimentos: Carne bovina, café (incluindo o solúvel não aromatizado), laranja e suco de laranja.
- Insumos Básicos: Celulose, minério de ferro e ferro-gusa.
🔴 Setores Sobretaxados em 25%
- Indústria e Manufatura: Ferro, aço, vestuário, calçados e produtos farmacêuticos.
- Maquinário: Máquinas agrícolas e máquinas elétricas (exceto as destinadas à aviação).
- Agronegócio Processado: Açúcar e etanol.
Retaliação e OMC: A reação do governo brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores e o governo brasileiro repudiaram veementemente as novas tarifas, contestando a legitimidade e os fundamentos da investigação do USTR.
Como resposta imediata, o Brasil adotará duas frentes de ação:
- Lei de Reciprocidade: O governo confirmou que dará início aos trâmites para aplicar a legislação nacional de reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso, que permite aplicar tarifas equivalentes a produtos importados dos EUA.
- Organização Mundial do Comércio (OMC): O país reativará os mecanismos de solução de controvérsias na OMC para questionar a legalidade internacional da barreira alfandegária.
Setor do café celebra vitória política, mas mantém alerta ligado
A preservação do setor cafeeiro foi recebida com grande alívio pelas principais entidades do setor no Brasil (Abic, Abics e Cecafé). A manutenção da isenção do café em grão e a inclusão do café solúvel não aromatizado na lista de exceções foram frutos de uma forte articulação de bastidores junto à National Coffee Association (NCA) e importadores americanos.
“Essa decisão protege exportações que giram entre US$ 2,0 bilhões e US$ 2,5 bilhões ao ano para o maior mercado consumidor de café do mundo”, destacaram as entidades em nota conjunta.
O perigo ainda ronda
Embora o resultado atual seja uma vitória expressiva, os exportadores de café ressaltam que o risco não desapareceu por completo. Há uma segunda investigação em andamento no USTR, sob o amparo da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que poderá resultar em uma nova taxação de 12,5% especificamente sobre o café brasileiro nos próximos meses. As entidades prometem manter a mobilização técnica em Washington para evitar novos revesses.