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Morre Luiz Carlos Barreto, o ‘Barretão’, titã e pilar do cinema brasileiro, aos 98 anos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Pioneiro do Cinema Novo, fotojornalista e produtor de clássicos indicados ao Oscar, mestre do audiovisual nacional faleceu no Rio de Janeiro devido a complicações de uma pneumonia.

O audiovisual brasileiro perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas e decisivas. Morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, carinhosamente conhecido como Barretão. Ele estava internado desde a última segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, para tratar uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia.

O velório do produtor acontece nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, e a cerimônia de cremação será realizada no Memorial do Caju.

Do fotojornalismo às lentes do Cinema Novo

Antes de se consolidar como um dos maiores articuladores da indústria cinematográfica da América Latina, Barretão construiu uma sólida carreira no jornalismo. Como repórter fotográfico da histórica revista O Cruzeiro e correspondente na Europa, cobriu momentos marcantes da história global e retratou ícones internacionais como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

Seu primeiro contato com a sétima arte ocorreu ainda na infância, no Ceará, ao presenciar a passagem do cineasta norte-americano Orson Welles durante as gravações de um documentário sobre jangadeiros. Mais tarde, um encontro com o diretor Glauber Rocha nas filmagens de Barravento selou de vez sua transição definitiva para o cinema.

Como diretor de fotografia, Barretão registrou seu nome na história ao assinar a identidade visual e estética de duas obras-primas fundamentais do movimento do Cinema Novo:

  • Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos
  • Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha

A dinastia LC Barreto e a projeção internacional

Em 1954, Luiz Carlos casou-se com Lucy Barreto, com quem formou a parceria profissional e afetiva mais duradoura e influente da cultura nacional. Juntos, fundaram a LC Barreto, produtora com mais de seis décadas de história responsável por mais de uma centena de títulos.

A produtora assinou alguns dos maiores sucessos de bilheteria e crítica do país, alavancando o cinema brasileiro no circuito internacional. Entre suas produções mais célebres destacam-se:

  • Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)
  • Bye Bye Brasil (1979)
  • Memórias do Cárcere (1984)
  • O Quatrilho (1995) – Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional
  • O Que É Isso, Companheiro? (1997) – Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional

A paixão pelo cinema atravessou gerações na família. Seus três filhos — Bruno, Paula e Fábio Barreto — construíram carreiras de destaque no setor audiovisual. A trajetória familiar também enfrentou um período de luto em 2019, quando o cineasta Fábio Barreto faleceu após passar dez anos em coma em decorrência de um grave acidente automobilístico sofrido em 2009.

Repercussão e homenagens da classe artística

A despedida de Luiz Carlos Barreto gerou forte comoção entre realizadores, produtores e entidades culturais do país, que ressaltaram sua dedicação permanente à defesa do cinema nacional.

“Um país sem cinema é como uma casa sem espelho. O Brasil e o cinema brasileiro devem muito a ele. Sem Luiz Carlos Barreto, o cinema brasileiro seria apenas metade do que é hoje.”

Nilson Rodrigues, produtor e amigo pessoal.

“O Barretão era uma grande inspiração. Não era apenas o produtor que viabilizava financeiramente os filmes; ele pensava o cinema. Era um homem humilde, divertido e com uma memória impressionante.”

Cavi Borges, diretor e fundador da Cavideo.

“Luiz Carlos faz parte daquele grupo de brasileiros que pensava o país acima de tudo. Nacionalista convicto, foi um homem único. O cinema perde seu Apóstolo-Mor.”

Glaucia Camargos, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual do RJ.

“Perdemos um grande guerreiro, o grande soldado do cinema brasileiro, que nos deixa um legado de 80 anos dedicados à cultura nacional em muitas frentes.”

Carla Camurati, cineasta.

Em nota oficial, o Ministério da Cultura (MinC) lamentou a passagem do produtor, destacando que sua atuação ao lado de Lucy Barreto foi determinante para consolidar uma indústria cultural respeitada mundialmente e projetar a identidade brasileira nas telas do mundo inteiro.

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