
Foto: SERGIO AMARAL/STJ
O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi formalmente incluído em um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura um esquema de venda de sentenças. A autorização para a investigação partiu do ministro relator, Cristiano Zanin, no âmbito das apurações da Operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal (PF).
Como o caso tramita sob segredo de Justiça, os detalhes específicos e as provas que pesam contra Buzzi ainda não foram tornados públicos.
A Origem da Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes foi deflagrada após investigações da PF revelarem que servidores lotados em gabinetes do STJ utilizavam de forma indevida o acesso ao sistema eletrônico de elaboração de minutas de votos. As informações confidenciais eram comercializadas com terceiros.
Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra nove pessoas pelos crimes de:
- Organização criminosa
- Corrupção ativa e passiva
- Violação de sigilo funcional
- Exploração de prestígio
Foi no aprofundamento dessas apurações que a PF encontrou elementos que direcionaram suspeitas para o ministro Marco Buzzi.
Afastamento Prévio e Outras Acusações
Atualmente, Buzzi já se encontra afastado de suas funções em decorrência de outra investigação grave: uma acusação de assédio sexual.
O episódio teria ocorrido em janeiro deste ano, durante férias em Balneário Camboriú (SC), quando o ministro é acusado de tentar agarrar à força a filha de um casal de amigos durante um banho de mar. Após o escândalo vir a público, uma ex-funcionária terceirizada que trabalhava em seu gabinete também protocolou denúncias de assédio sexual contra ele.
O Outro Lado
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a defesa de Marco Buzzi declarou surpresa com a nova frente de investigação. Os advogados negaram qualquer envolvimento do magistrado com o esquema de venda de sentenças e destacaram que ele cumpre rigorosamente os impedimentos legais da magistratura:
“A defesa esclarece que o ministro Marco Buzzi não tem nenhuma relação com atividades profissionais de seus familiares, ao contrário, é legalmente impedido de julgar casos que seus familiares tenham atuação. Também afirma não ter conhecimento da investigação e nem sequer de que ele seja investigado.”