
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom
O Brasil deu um passo histórico no combate às hepatites virais ao alcançar as metas internacionais para a eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) da hepatite B. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde durante o evento alusivo ao Dia Mundial de Luta contra Hepatites Virais, realizado no Rio de Janeiro.
Com os índices oficiais abaixo dos limites exigidos globalmente, o governo brasileiro formalizou junto à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o pedido de certificação internacional para o feito.
Os Dados do Avanço
Conforme os registros do Ministério da Saúde, a prevalência da transmissão do vírus (HBV) de mães para filhos recuou para 0,0111% em 2025, ficando amplamente abaixo do teto de 0,1% estipulado internacionalmente para menores de cinco anos.
Os pilares que sustentaram essa conquista refletem o fortalecimento das políticas públicas de saúde preventiva no período recente:
- Pré-natal ampliado: A cobertura de acompanhamento gestacional ultrapassou os 98% entre 2024 e 2025, superando a meta global de 95%.
- Vacinação precoce: A imunização contra a hepatite B nas primeiras horas de vida alcançou 97% em 2024 e chegou à marca total de 100% em 2025, superando a exigência mínima de 90%.
“Sem a atenção primária em saúde forte e sem a saúde baseada a partir das comunidades, não é possível alcançar a eliminação de doenças infecciosas”, destacou o ministro Alexandre Padilha, pontuando que a retomada dos investimentos no setor foi determinante para o resultado.
Estratégia de Combate e Próximos Desafios
O sucesso na contenção do vírus da hepatite B é fruto de um protocolo integrado que engloba testagem sistemática no pré-natal, administração de tratamento antiviral para gestantes quando indicado, aplicação imediata da vacina no recém-nascido e o uso de imunoglobulina (HBIG) para filhos de mães infectadas.
O avanço na hepatite B soma-se a outra conquista recente: em dezembro de 2025, o país obteve a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV.
Para o horizonte de 2030, a meta do governo é replicar o sucesso com um novo bloco de enfermidades, incluindo:
- Sífilis
- Doença de Chagas
- Vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV)
Apesar do otimismo, o Ministério da Saúde reconhece que o combate a certas infecções esbarra em barreiras sociais profundas. No caso da sífilis, por exemplo, o desafio central reside na vulnerabilidade feminina e na reinfecção continuada pelo parceiro durante o ciclo gestacional, mesmo após o tratamento adequado da gestante na rede básica.