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Avanço na Psiquiatria: Estudo Inédito Desvenda Mecanismos Cerebrais e Genéticos do TOC

Foto: Foto: Anna Shvets/Pexels

Uma pesquisa inovadora publicada recentemente no periódico Nature Communications revelou novas evidências sobre a origem do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). O estudo, liderado pelo cientista brasileiro Leonardo Saraiva, aponta que alterações na curvatura cortical e na similaridade estrutural entre regiões cerebrais são processos fundamentais para o desenvolvimento da condição.

O trabalho representa uma mudança de paradigma na neuroimagem psiquiátrica. Enquanto a maioria das investigações históricas foca em poucas características isoladas, o projeto adotou uma abordagem multi-fenotípica e abrangente, combinando inteligência artificial, análise de dados de 4.519 participantes e mapeamento genético.

Os Pilares da Investigação

Iniciado durante o doutorado de Saraiva no Programa de Pós-graduação em Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) — e atualmente desenvolvido em seu pós-doutorado na Universidade de Yale (EUA) —, o estudo contou com a estrutura do consórcio internacional Enigma-OCD.

A amostra robusta analisou 47 conjuntos de dados de 26 centros globais, divididos entre:

  • 2.255 pacientes diagnosticados com TOC.
  • 2.264 participantes do grupo controle (neurotípicos).

Inovação Metodológica

Com o auxílio de modelos de machine learning, os pesquisadores avaliaram nove fenótipos corticais e quatro subcorticais, além de introduzir uma métrica inédita: o fenótipo de rede de similaridade estrutural subcortical, que mede o grau de semelhança morfológica entre diferentes áreas do cérebro.

Principais Descobertas

As análises detalhadas permitiram mapear alterações biológicas específicas associadas ao transtorno:

  • Curvatura Cortical: Foram encontradas alterações estruturais em regiões que integram a rede frontoparietal.
  • Redes Sensório-Motoras: Observou-se um aumento no grau dos nós da rede de similaridade estrutural nessas áreas.
  • Expressão Gênica: A análise de tecido cerebral (coletado em cirurgias de Estimulação Cerebral Profunda) revelou que genes com atividade reduzida estão diretamente relacionados às alterações no córtex, indicando uma possível desregulação de neurônios excitatórios.

Para o professor Euripedes Constantino Miguel, coordenador do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) e orientador do estudo, os resultados fornecem bases sólidas para superar o diagnóstico puramente subjetivo do transtorno. “Trata-se de um estudo que reúne hard science, métodos rigorosos e uma análise de dados extremamente abrangente, permitindo levantar hipóteses heurísticas sobre os mecanismos envolvidos na origem do TOC”, destaca.

Reconhecimento Internacional

A relevância da pesquisa consolida o protagonismo da ciência brasileira no cenário global. O próprio Leonardo Saraiva foi laureado em 2025 com o Michael A. Jenike Young Investigator Award, concedido pela International OCD Foundations (IOCDF), principal premiação mundial na área de saúde mental voltada para jovens pesquisadores.

O estudo conta com forte participação de instituições de excelência, reunindo mais de 100 cientistas e consolidando parcerias estratégicas entre a FMUSP, o Hospital das Clínicas (IPq-HCFMUSP), a Universidade de Yale e a Universidade de Rutgers. O próximo grande desafio apontado pelos líderes do projeto é o fortalecimento de infraestrutura no Brasil para reter e atrair talentos, garantindo a continuidade de pesquisas de alto impacto internacional no país.

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