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Estudo pioneiro: Pesquisa da USP e Instituto Butantan revela potencial de venenos de serpentes contra a esquistossomose

Foto: Kristof Zyskowski / Wikimedia Commons

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Butantan deram um passo importante na busca por alternativas terapêuticas contra a esquistossomose. Em um estudo recente publicado no International Journal of Molecular Sciences, cientistas testaram o efeito de venenos de oito espécies de serpentes do gênero Bothrops (como a jararaca) sobre o Schistosoma mansoni, parasita responsável pela forma visceral da doença, popularmente conhecida como “barriga d’água”.

O trabalho surge como uma resposta urgente à limitação atual no combate à enfermidade. Atualmente, o praziquantel é o único medicamento disponível para o tratamento e uso preventivo em larga escala. No entanto, o uso contínuo do fármaco gera uma pressão seletiva, elevando o risco de surgimento de linhagens de vermes resistentes — um cenário já observado em laboratórios e em algumas populações que demandam doses maiores para alcançar a cura.

Os testes e os impactos nos parasitas

Nos experimentos laboratoriais, casais de vermes adultos foram expostos por 24 horas a baixas doses dos venenos de espécies como jararaca, caiçaca, jararacussu e jararaca-do-norte. Os resultados destacaram duas espécies principais:

  • Bothrops moojeni (caiçaca / jararaca-do-cerrado): Apresentou o impacto mais drástico, reduzindo a locomoção, a capacidade de fixação e a viabilidade dos parasitas, além de interromper quase totalmente a postura de ovos.
  • Bothrops jararacussu (jararacussu): Causou uma redução significativa na postura de ovos dos vermes.

O sequenciamento genético revelou um colapso sistêmico nos vermes machos, que apresentaram um número expressivamente maior de genes afetados em comparação às fêmeas. Enquanto os machos sofreram alterações em processos vitais como divisão celular e transmissão de impulsos nervosos — possivelmente devido à maior exposição física no ambiente externo e diferenças no tegumento —, as fêmeas registraram impactos concentrados em funções reprodutivas.

Próximos passos rumo a novos fármacos

O estudo também analisou o papel de RNAs longos não codificadores de proteínas, que atuam na regulação de processos como reprodução e equilíbrio fisiológico (homeostase) do verme.

Apesar de promissores, os pesquisadores ressaltam que a pesquisa está em fase básica. As próximas etapas exigem o aprofundamento na função desses RNAs, o design de moléculas sintéticas capazes de “desligar” tais alvos biológicos, testes de eficácia em organismos vivos e, futuramente, rigorosos ensaios clínicos em humanos antes que qualquer novo medicamento possa chegar à população.

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