
Foto: José Cruz/Agência Brasil
As unidades especializadas da Polícia Civil voltadas ao atendimento de mulheres registraram 782.474 atendimentos em todo o Brasil ao longo de 2025. Os números fazem parte de um levantamento nacional divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha.
O levantamento mostra que 329.451 mulheres foram atendidas pelas unidades policiais durante o período. A diferença entre o número de vítimas e o total de atendimentos indica que muitas mulheres precisaram procurar os serviços especializados mais de uma vez.
Os dados foram reunidos no 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres. Das 585 unidades existentes no país, 530 forneceram informações para o estudo, incluindo delegacias especializadas e outros serviços destinados ao atendimento desse público.
Ameaça lidera registros
Entre os tipos de ocorrência registrados pelas unidades especializadas, os casos de ameaça apareceram na primeira posição, com 148.544 registros em 2025.
Na sequência ficaram os casos de lesão corporal, com 99.473 ocorrências, e injúria, que somou 88.739 registros.
O diagnóstico também chama atenção para o crescimento de determinados tipos de violência. Os registros de perseguição chegaram a 52.855 casos, aumento de 44,3% em comparação com o levantamento anterior, referente a 2023.
Já os atendimentos relacionados à violência psicológica alcançaram 23.911 registros, representando crescimento de 49,7% em relação ao estudo anterior.
Mais de 300 mil medidas protetivas foram solicitadas
As ocorrências atendidas pelas unidades especializadas também resultaram em 302.626 pedidos de medidas protetivas de urgência.
Desse total, 118.672 medidas foram concedidas. Segundo o levantamento, 74,2% delas foram concedidas, mas 38.214 medidas acabaram sendo descumpridas pelos agressores.
Sudeste concentra maior número de vítimas
A região Sudeste apresentou o maior número de mulheres atendidas pelas unidades especializadas, com 125.769 vítimas, equivalente a 47,8% do total registrado no levantamento.
O Nordeste apareceu em seguida, com 53.067 vítimas, enquanto o Centro-Oeste contabilizou 43.662. A Região Sul registrou 21.087 mulheres atendidas e a Região Norte, 19.712.
Entre os estados, São Paulo teve o maior número de vítimas atendidas, com 84.103 registros.
Rede especializada ainda enfrenta dificuldades
Apesar da estrutura existente, o diagnóstico aponta que as unidades ainda enfrentam problemas para garantir atendimento integral às vítimas.
Atualmente, o país possui 585 unidades especializadas, com aproximadamente 6.200 profissionais, entre delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais.
Um dos principais desafios é o funcionamento em tempo integral: 80% das unidades não funcionam 24 horas.
O levantamento também apontou falta de recursos para investigação em 57% das unidades consultadas. A ausência de viaturas foi citada por 46%, enquanto 40% relataram falta de materiais considerados necessários para determinadas ações.
As primeiras unidades especializadas começaram a ser implantadas em 1985, com a criação da primeira Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), em São Paulo. Desde então, a estrutura foi ampliada e hoje está presente em diferentes regiões do país.
Os números reforçam a dimensão da violência contra as mulheres e também mostram a importância da manutenção e ampliação dos serviços especializados de acolhimento, registro e proteção às vítimas.