
A inflação oficial do Brasil perdeu força pelo quarto mês consecutivo e ficou em 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos.
Com o resultado de julho, o IPCA acumulado em 12 meses caiu para 4,44%, voltando para dentro do intervalo considerado como meta de inflação pelo governo. O centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecendo um limite máximo de 4,5%.
O índice de julho também veio exatamente em linha com a expectativa do mercado financeiro. De acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (10), a previsão era de uma inflação de 0,07% no mês. Para o fechamento de 2026, entretanto, os analistas consultados pelo Banco Central projetam IPCA de 5,02%.
Alimentos ajudam a segurar a inflação
O grupo Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,67% em julho e foi um dos principais responsáveis pela desaceleração do índice.
A alimentação consumida dentro de casa ficou 1,14% mais barata no mês. Entre os produtos que mais contribuíram para a redução dos preços estão o tomate, que caiu 29,09%, a batata-inglesa, com redução de 19,59%, e a cenoura, que ficou 14,41% mais barata.
O café moído também apresentou queda de 2,45% em julho. Considerando os últimos 12 meses, o produto acumula redução de 17,2%, a maior queda nesse período desde o início do Plano Real, em 1994.
Segundo o IBGE, a maior oferta de produtos, favorecida pelas condições climáticas, ajudou a pressionar os preços dos alimentos para baixo.
Conta de luz foi um dos principais aumentos
Apesar da queda nos alimentos, alguns itens ficaram mais caros. A energia elétrica residencial subiu 3,09%, sendo o principal impacto individual de alta sobre o IPCA de julho.
O aumento foi influenciado por reajustes aplicados em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Como o IPCA é calculado a partir de uma média nacional, alterações regionais também acabam refletidas no resultado geral.
Para agosto, porém, a conta de energia poderá ter algum alívio para os consumidores devido ao chamado Bônus Itaipu, desconto que será aplicado nas faturas conforme as regras definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Combustíveis ficaram mais baratos
No grupo dos transportes, as passagens aéreas tiveram alta de 11,67% em julho. Em contrapartida, os combustíveis registraram queda de 1,44%.
A gasolina caiu 1,37%, enquanto o etanol teve redução de 2,26%. Também houve queda nos preços do óleo diesel, de 1,22%, e do gás veicular, de 0,08%.
O resultado de julho mantém a trajetória de desaceleração observada nos últimos meses. O IPCA passou de 0,88% em março para 0,67% em abril, 0,58% em maio, 0,16% em junho e agora 0,07% em julho.
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