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Previdência brasileira registra déficit recorde de R$ 320,9 bilhões em 2025


O sistema previdenciário brasileiro registrou um déficit de R$ 320,9 bilhões em 2025, segundo levantamento divulgado pela Tribuna do Paraná. O valor representa mais que o dobro do registrado dez anos antes e acende um alerta sobre a sustentabilidade das contas previdenciárias do país.

As despesas com benefícios previdenciários ultrapassaram R$ 1,03 trilhão no ano passado, equivalente a aproximadamente 12% do Produto Interno Bruto (PIB). No caso do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que atende principalmente trabalhadores do setor privado, foram necessários R$ 320,9 bilhões em recursos do Tesouro Nacional para cobrir a diferença entre arrecadação e despesas.

Envelhecimento da população aumenta pressão

Um dos principais fatores apontados para o crescimento do déficit é a mudança demográfica brasileira. A população está vivendo mais, enquanto o número de nascimentos diminui.

A expectativa de vida, que era de 71,1 anos em 2000, chegou a 76,6 anos em 2024 e deve ultrapassar 81 anos em 2050. Com isso, os benefícios são pagos durante períodos cada vez maiores.

O número de novas aposentadorias também cresceu significativamente. Em 2015 foram registradas cerca de 3,48 milhões de novas aposentadorias, enquanto em 2025 o número chegou a 6,45 milhões.

Previdência rural concentra grande parte do déficit

O levantamento destaca ainda o peso da Previdência rural nas contas do sistema. Em 2025, o setor rural teria concentrado cerca de 65% do déficit do INSS.

Segundo os dados apresentados, para cada R$ 1 pago em aposentadorias rurais, a arrecadação correspondente foi de aproximadamente R$ 0,06. Na área urbana, a relação foi de R$ 0,91 arrecadado para cada R$ 1 pago em benefícios.

O sistema previdenciário dos servidores públicos também representa uma parcela significativa das despesas. Em 2025, o governo federal precisou repassar aproximadamente R$ 62 bilhões para cobrir aposentadorias do funcionalismo público.

Propostas de uma nova reforma

Diante do cenário, economistas vêm discutindo novas mudanças na Previdência. Uma proposta elaborada por especialistas liderados por Paulo Tafner, com apoio do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, prevê uma reforma ampla para tentar controlar o crescimento das despesas.

Entre as medidas sugeridas estão o aumento da idade mínima para 67 anos, tanto para homens quanto para mulheres, além de alterações no sistema de contribuição e uma transição gradual para um modelo misto, combinando repartição e capitalização.

A discussão sobre uma nova reforma, porém, envolve questões econômicas e sociais complexas, especialmente em relação à idade mínima, aos trabalhadores rurais e às regras de transição.

O déficit crescente mostra que o sistema previdenciário continuará sendo um dos principais desafios das contas públicas brasileiras nos próximos anos.

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