
Os problemas de saúde associados às apostas online podem representar um impacto financeiro estimado em R$ 30,6 bilhões por ano para o Sistema Único de Saúde (SUS). O valor consta de um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) divulgado neste sábado (19).
O cálculo considera despesas relacionadas ao tratamento de problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, além dos impactos associados às mortes por suicídio.
Procura por atendimento aumentou 140%
Segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde, a procura por atendimento no SUS relacionada à dependência de apostas online e jogos de azar cresceu 140% nos últimos cinco anos.
O aumento foi identificado em diferentes serviços da Rede de Atenção Psicossocial. Para ampliar o atendimento, o governo criou uma modalidade de teleatendimento voltada especificamente para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas.
Desde fevereiro, cerca de 20 mil pessoas haviam se cadastrado após realizar um teste relacionado ao uso de apostas, segundo o diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati.
A capacidade do serviço foi posteriormente ampliada de 600 para até 100 mil teleatendimentos por mês.
Apenas 1% da arrecadação das bets vai para a Saúde
De acordo com o levantamento divulgado pela Agência Brasil, 1% do valor arrecadado pelas empresas de apostas é destinado ao Ministério da Saúde para ações relacionadas aos impactos do setor.
O dado ganha relevância diante da estimativa apresentada pelo IEPS sobre os custos associados aos problemas de saúde decorrentes das apostas.
Mais de 5 milhões de CPFs foram bloqueados
Outro indicador do tamanho do problema é a utilização da plataforma de autoexclusão criada pelo Ministério da Fazenda.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 5 milhões de CPFs já foram bloqueados em sites de apostas online autorizados pelo governo.
Mais de 1 milhão de usuários também solicitaram voluntariamente a autoexclusão. Entre essas pessoas, quase metade informou problemas relacionados à saúde mental como motivo para deixar as plataformas.
A ferramenta permite bloquear, de uma só vez, contas existentes nas plataformas autorizadas e impede a abertura de novas contas vinculadas ao CPF cadastrado.
SUS oferece atendimento para jogadores e familiares
O Ministério da Saúde disponibiliza atendimento presencial e remoto para pessoas que enfrentam problemas com apostas, além de suporte aos familiares.
O acesso pode começar pelo Meu SUS Digital, onde o usuário realiza um autoteste. Nos casos em que o resultado aponta risco moderado ou elevado, há encaminhamento para o teleatendimento especializado.
Também é possível procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
O serviço de teleatendimento é sigiloso e conta com profissionais como psicólogos e enfermeiros. A iniciativa também oferece orientação aos familiares de pessoas afetadas pela dependência.
Dependência pode afetar saúde e vida financeira
O Ministério da Saúde alerta que o uso problemático das apostas pode estar associado a alterações no sono, humor, rotina e relações familiares, além de dificuldades financeiras.
Entre os sinais que merecem atenção estão apostar por mais tempo ou gastar mais dinheiro do que o planejado e pensar frequentemente em jogos e apostas.
O estudo que estima o impacto de R$ 30,6 bilhões anuais reforça a dimensão econômica dos efeitos relacionados à saúde, enquanto os dados do Ministério da Saúde mostram o crescimento da procura por atendimento na rede pública.
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