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Do Café ao Mercado Imobiliário: A Trajetória de Mário Hiroshi Kaneko


Mário Hiroshi Kaneko completa 80 anos com uma história construída no trabalho do campo, no setor bancário e no mercado imobiliário do Paraná. Hoje à frente da Imobiliária Marialva, ele acumula três décadas de atuação no ramo e uma carreira pautada por disciplina e gestão direta.

Origens e Primeiros Anos

Antes da Segunda Guerra Mundial, Rokuro Kaneko deixou o Japão com destino ao Brasil. Ele era o sexto filho de uma família japonesa, estudava e trabalhava como entregador de leite. A ideia inicial era passar uma curta temporada no novo país. Sem família no Brasil e sem experiência com a agricultura, Rokuro enfrentou dificuldades no trabalho rural na lavoura de café, isto no final da década de 1930.
Por conselho de um encarregado da roça, Rokuro decidiu formar família e buscar novas oportunidades, casou-se com Tomiko Kaneko. Mário Hiroshi Kaneko nasceu em 10 de março de 1946, na região do atual município de Borborema, próximo a Ibitinga (SP). Por consenso familiar, foi criado pelos avós materno, pois os pais já tinham três filhos e moravam perto.

Mário é o quarto de 12 irmãos — seis homens e seis mulheres, todos vivos. Com exceção da irmã caçula, que mora no Japão, todos residem no Brasil e mantêm reuniões periódicas em datas comemorativas.
A família mudou-se para Assaí, no Paraná, para trabalhar no cultivo de café. Nessa época, Mário frequentava a escola japonesa pela manhã e o Grupo Escolar de língua portuguesa no contraturno. Pouco tempo depois, a família se transferiu para Santa Fé (PR), onde participou do desbravamento de mata para a formação de lavoura de café. Para estudar, Mário e os irmãos caminhavam seis quilômetros diariamente.
Mário manteve o foco nos estudos mesmo trabalhando na roça, apresentando bom desempenho acadêmico até concluir o curso técnico em contabilidade, equivalente ao ensino médio. Até os 20 anos, trabalhou no campo na colheita de café e no manuseio de outras culturas.

Carreira Bancária e Mobilidade

A transição para o setor urbano ocorreu em 1966. Convidado por um amigo para trabalhar no Banco Comercial do Paraná, Mário se apresentou como candidato a uma vaga. Para assumir a vaga, precisou aprender datilografia de forma rápida. Com o certificado em mãos, foi contratado como contínuo, cujo serviço era a limpeza e demais serviços, como copiador de cartas e balancetes, e também atender o balcão.
A rotina exigia disciplina. Mário chegava à agência uma hora antes dos demais funcionários, de segunda a sexta-feira. Ele fazia a limpeza, organizava outros serviços. Aos sábados, realizava a limpeza geral até o final da tarde, tarefa finalizada com a queima dos papéis descartados da semana.
Com o tempo, passou de contínuo a correntista e ocupou diversas funções operacionais em uma época na qual os processos bancários eram totalmente manuais. O balancete exigia precisão absoluta na conferência diária de dados.

Após a aquisição do Banco Comercial do Paraná pelo Bamerindus, Mário ascendeu ao cargo de chefe de serviços, e depois a gerente. A função exigiu constante mobilidade geográfica. Em 1971, foi transferido para Indianópolis (PR). Chegou a Marialva pela primeira vez em 1973, permanecendo até 1978. Atuou em Maringá e abriu a agência no distrito de Aquidaban, onde trabalhou até 1981.
Por questões familiares, recusou transferências para Santa Catarina e Alagoas, mantendo o foco na alfabetização dos filhos. Passou por Londrina, trabalhou dois anos em Apucarana e gerenciou a agência de Assaí por nove anos. Trabalhou ainda em Ibiporã por um ano e meio antes de retornar a Marialva para os dois anos finais de sua carreira bancária. Ao todo, realizou 15 mudanças de endereço. A aposentadoria ocorreu em 1996, pouco antes da venda do Bamerindus ao HSBC em 1997.

Vida Pessoal e Filosofia de Trabalho

Mário casou-se em 1971 com Maria Miko Nonaka. Para a compra do primeiro imóvel residencial, contou com o apoio financeiro do pai, que custeou metade do valor. No início da vida conjugal, priorizou a compra de móveis e rejeitou a compra de um aparelho de televisão (preto e branco) devido ao alto custo da tecnologia na época. Na Copa do Mundo de 1970, assistiu aos jogos no cinema local, que exibia as imagens por meio de duas televisões no palco. A aquisição do primeiro televisor a cores ocorreu somente em meados da década de 1970, durante sua passagem por Marialva.
O casal tem três filhos: Rossano Kaneko, formado em Direito e atuante na gestão do negócio familiar; Marcelo, cirurgião-dentista; e Patricia, com formação em Fisioterapia e Publicidade e Propaganda.
Rossano é casado com Marcia Midori Yoneda, e tem um filho Bruno.
Marcelo tem uma filha Maísa.

Atuação na Imobiliária Marialva

Mário iniciou a atividade imobiliária em 1997, dando origem à Imobiliária Marialva, que completa 30 anos de fundação em abril de 2027. A empresa mantém ainda hoje vários clientes atendidos desde o início de suas operações e fundamenta a atuação nos pilares de transparência e atendimento direto, sempre focando no bom atendimento junto a clientela.
Aos 80 anos, Mário Hiroshi Kaneko mantém a rotina de trabalho em Marialva, cidade onde construiu sua trajetória profissional e familiar no ramo.

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